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Estado de Minas TECNOLOGIA SOCIAL

Máquina mineira para agricultoras do Saara leva prêmio da Fundação de Bill Gates


postado em 05/11/2013 09:20 / atualizado em 05/11/2013 09:23

Comprotótipo na mão, Ricardo Capúcio, professor da Universidade Federal de Viçosa, ganha prêmio da Fundação BilleMelinda Gates(foto: PILAR OLIVARES/BILL & MELINDA GATES FOUNDATION/DIVULGAÇÃO)
Comprotótipo na mão, Ricardo Capúcio, professor da Universidade Federal de Viçosa, ganha prêmio da Fundação BilleMelinda Gates (foto: PILAR OLIVARES/BILL & MELINDA GATES FOUNDATION/DIVULGAÇÃO)
Uma máquina de semeadura fácil de ser manuseada e pensada especialmente para mulheres. Há duas décadas essa engenhoca habita os sonhos e a realidade do professor Ricardo Capúcio de Resende, do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que acaba de vencer o prêmio da 11ª edição do Grand Challenges Explorations (GCE), da Fundação Bill e Melinda Gates. O projeto concorreu com 2, 7 mil propostas de cientistas de todo o mundo. Além dele, outros dois brasileiros foram premiados: o farmacêutico Floriano Paes Silva Júnior, da Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, e o engenheiro agrônomo Mateus Marrafon, pesquisador do Instituto Kairós, de Itu (SP).

Capúcio foi incentivado ainda no curso de graduação, que fez na Universidade Federal de Santa Catarina, a criar uma máquina semeadora, por um professor de projetos de máquinas que o desafiou.

Anos se passaram até que ele chegou ao mestrado com a ideia de construir a máquina – que basicamente empurra terra, abre covas simétricas e contínuas e lança sementes no solo –, mas depois vieram aulas, a correria da vida acadêmica. “Não é que fiquei 20 anos em cima da máquina, mas sempre trabalhava no projeto de alguma forma”, diz. A meta era inventar algo que fosse prático, e que dependesse da força humana para funcionar, sem precisar de trator, motor ou tração animal. Ele precisou de nove mudanças até chegar à versão apresentada no Grand Challenges.

Quando fez doutorado, na Cranfield University, na Inglaterra, ele teve a oportunidade de testar o protótipo da máquina em um tanque no laboratório. Ficou satisfeito. Os resultados, no entanto, não são definitivos. Afinal, a máquina precisa ser construída em tamanho natural para ser testada nas condições em que será usada e o pesquisador pretende investir o prêmio do GCE para isso. “É uma máquina simples e, por isso, o custo é baixo e a manutenção é mais barata”, diz o engenheiro. “Além disso, qualquer pessoa pode manusear. Tenho certeza de que vai ajudar muita gente.”

A invenção parece um carrinho de cimento e, segundo ele, não há similar no mercado. As semeadoras disponíveis precisam ser puxadas ou por trator ou por animais. E elas também não são tão eficientes quanto a proposta por Ricardo. Seu projeto foi contemplado no Grand Challenges no edital direcionado à agricultura, cujas tecnologias sociais apresentadas deveriam ter foco em trabalhadoras da África, mais especificamente as que vivem no Sul do Saara.

“O objetivo é aumentar a produtividade dessas trabalhadoras e da terra onde vivem. A Fundação Bill e Melinda Gates considerou, certamente, essa região como a mais necessitada do mundo desse tipo de tecnologia, mas acredito que minha máquina possa ser usada em qualquer lugar do mundo, inclusive aqui no Brasil, por pequenos produtores familiares”, acrescenta.

O professor, como os outros ganhadores do prêmio, receberão US$ 100 mil ( o equivalente a R$ 224 mil) para provar que sua proposta funciona em 18 meses. Ele convidará, agora, outros professores da UFV e também alunos, que integrarão sua equipe. A máquina vai ser construída na Federal de Viçosa, mas deverá ser testada in loco, no Saara. Antes do teste, Ricardo e sua futura equipe terão de ir à África, para conversar com as mulheres a serem beneficiadas com o equipamento, ver em que tipo de solo trabalham, quais os cultivares usam e qual tipo de plantio praticam.

Desafio

“Estou muito feliz com a premiação, pois o projeto teve uma ótima recepção, inclusive de outros pesquisadores, de vários lugares do mundo, como Índia e Estados Unidos. Foi muito interessante. Estou animado para abraçarmos esse desafio.” O recurso do prêmio é disponibilizado tanto pela Fundação Gates quanto pelas fundações de amparo à pesquisa dos estados com propostas selecionadas. No caso de Ricardo Resende, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) também investirá no projeto. Caso seja bem-sucedido, o pesquisador pode concorrer a um financiamento extra de até US$ 1 milhão (R$ 2,24 milhões).

 


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