
Baseados no tamanho e na massa do objeto, os cientistas acreditam que a densidade de Kepler-78b é quase igual à da Terra. Isso os faz apostar numa composição também muito similar, de núcleo metálico e interior rochoso. Infelizmente, essa “segunda Terra” orbita tão próximo à sua estrela que tem um clima bem diferente do nosso, inviável para a vida – o Kepler-78b está a uma distância do astro que orbita 40 vezes menor que a de Mercúrio em relação ao Sol. O exoplaneta sofre um calor constante de 2,7 mil graus, e nem é possível esperar pelo alívio do inverno, já que a miniórbita resulta em um ano de apenas 8,5 horas.
Estima-se que a “Terra gêmea” seja constantemente coberta em lava derretida, cuja atmosfera – se é que existiu – já evaporou há muito tempo. Embora as chances de vida nesse planeta sejam nulas, a descoberta alimenta a busca por ambientes habitáveis em outras partes do Universo. “Esse planeta não é de forma nenhuma habitável como a Terra, mas parece que a natureza é capaz de fazer outros planetas que têm as mesmas capacidades como as nossas”, anima-se Andrew Howard, pesquisador da Universidade do Havaí em Manoa e principal autor de uma dos estudos publicados na Nature.

Ele ressalta que o telescópio Kepler já encontrou vários planetas de tamanho parecido ao da Terra nas chamadas “áreas habitáveis” de diferentes sistemas solares, mas esta é a primeira vez que é possível medir a massa de um deles. O tamanho do objeto é normalmente medido com base na sombra que ele projeta sobre sua estrela quando passa em frente a ela, mas outras informações não podem ser aferidas por esse método. Para saber do que o planeta é feito, Howard mediu o objeto com um espectroscópio de alta precisão.
Outro trabalho semelhante foi feito por um consórcio internacional que utilizou o novo buscador de planetas de alta precisão HARPS-N, do Telescópio Nacional Galileo, no Observatório Roque de los Muchachos, na Espanha. Os resultados obtidos com a técnica foram bastante similares: enquanto os norte-americanos chegaram à conclusão de que o Kepler-78b tem massa equivalente a 1,69 Terra, o grupo europeu chegou ao número de 1,86.
Ainda há, contudo, mistérios a serem desvendados. “Esse planeta não deveria existir. Não sabemos como ele se formou tão próximo a uma estrela, ou como um planeta do tamanho da Terra poderia ter se formado e ter sido movido para perto de uma estrela”, questiona Andrew Howard. “Se o rolar dos dados tivesse sido diferente e esse planeta não estivesse tão próximo a sua estrela, ele poderia ter tido um destino muito diferente, talvez mais similar ao da Terra.”
