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Estado de Minas

Estudo sugere que amamentação de neandertais era como a do homem moderno


postado em 23/05/2013 12:00 / atualizado em 23/05/2013 12:33

Extintos há cerca de 30 mil anos, os neandertais ainda despertam a curiosidade de seus primos humanos, que têm encontrado em fósseis possíveis respostas sobre os hábitos dessa espécie, cujo desaparecimento da face da Terra jamais foi esclarecido. A pesquisa mais recente sobre o tema foi publicada na edição desta semana da revista Nature. Feito por cientistas americanos e australianos, o estudo sugere que as mães neandertais amamentavam seus filhos exclusivamente com leite até os 7 meses, como, até hoje, fazem os homens modernos. Contudo, aos 14 meses, elas paravam de dar o peito, o que é considerado bastante precoce, tendo como base os padrões do Homo sapiens e de primatas não humanos: 2,5 e 5,3 anos, respectivamente.

Liderados pela Faculdade de Medicina da Universidade de Mount Sinai, em Nova York, os pesquisadores analisaram as mudanças de concentração de cálcio e bário nos dentes de um jovem neandertal e compararam aos encontrados em crianças modernas e em filhotes de símios. De acordo com os cientistas, essas taxas indicam quando houve a transição do leite materno para alimentos sólidos e fornecem pistas sobre os hábitos de desmame.

Os dentes começam a se formar ainda na fase uterina e, à medida que o indivíduo vai se desenvolvendo, elementos químicos provenientes de fontes externas, como a comida, vão se fixando nessas estruturas, fazendo uma espécie de linha do tempo alimentar. Enquanto o cálcio é uma evidência de uma dieta rica em leite materno, ao ultrapassar as taxas desse elemento químico, o bário indica o fim da amamentação. Embora a análise tenha sugerido que as neandertais seguissem, há mais de 300 séculos, o que hoje é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), quando a criança completava 1 ano e 2 meses, aparentemente elas cortavam por completo o leite materno. Na parte do dente referente a essa idade, os níveis de bário dobram.

Críticas

Os pesquisadores reconhecem que apenas um dente pode não ser suficiente para determinar que todos os neandertais excluíam a amamentação aos 14 meses. Porém, no artigo, eles afirmam que o método que avalia a razão das taxas de cálcio e bário pode ser um instrumento útil no estudo dos padrões alimentares de humanos e primatas ancestrais. A pesquisa, contudo, despertou o ceticismo de uma das maiores autoridades em ossos e dentes antigos, o antropólogo evolucionista Michael Richards, do Instituto Max Planck, na Alemanha. Em entrevista ao site do jornal The New York Times, ele se disse surpreso pelo fato de o grupo Nature publicar o artigo, que considerou ultrapassado.

De acordo com Richards, o exame de traços de elementos químicos como o bário em amostras parou de ser feito nas décadas de 1970 e 1980. Ele explicou que os cientistas constataram que ossos e dentes incorporam compostos do solo em que foram enterrados, por isso não há como dizer se a presença de uma substância está relacionada à alimentação ou ao local de sepultamento. “Recentemente, talvez como a geração que fez esse trabalho já se aposentou, novas gerações estão retornando a esses métodos”, ironizou.

 


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