Bruno Silva
Enviado especial
Barcelona – No que depender das fabricantes de celulares, o smartphone vai ficar cada vez mais popular. No Mobile World Congress 2013 (MWC), que ocorre anualmente na Espanha, os aparelhos de baixo custo ganharam bastante espaço – e foram estrelas de alguns estandes. Essa e outras tendências marcaram o principal evento da indústria dos dispositivos móveis, que terminou na semana passada.
Mas, por trás dos holofotes, o MWC foi um evento que pensou muito nos segmentos médios e até mesmo populares. Basta ter como exemplo o featurephone (o termo usado hoje para celulares sem acesso à internet) Nokia 105, com preço sugerido de apenas 15 euros (cerca de R$ 38). Na categoria dos smartphones, a faixa dos US$ 100 também era uma realidade, principalmente por conta do Firefox OS, desenvolvido pela Mozilla, para tornar esse tipo de dispositivo mais acessível a quem não tem condições de gastar muito dinheiro em um celular de ponta.
Brasil Uma questão recorrente em relação às tecnologias em alta da feira é saber se as funcionalidades serão compatíveis com a rede de telefonia brasileira, ou terão alguma utilidade. É o caso do 4G, que se encontra em fase de testes – mas começou a ser disponibilizado em cidades como Recife – e que deve chegar a todas as sedes da Copa das Confederações em junho. A preocupação é se os aparelhos seguirão o caminho do iPhone 5, que não suporta a frequência de 2,5GHz, reservada para o 4G nacional.
Entretanto, a maioria dos aparelhos 4G anunciados suportam esse espectro, principalmente em faixas intermediárias e com características que estão no gosto do brasileiro, como o suporte a dois chips. Além disso, a feira teve lançamentos voltados para o mercado brasileiro, caso do Samsung Galaxy Express, que deve ser posicionado como telefone habilitado ao 4G com um preço de R$ 1,5 mil, mais barato do que os integrantes do segmento, todos na faixa dos R$ 2 mil.
Os aparelhos que não têm suporte a 2,5GHz também têm chance de funcionar no Brasil, contanto que seja resolvido um impasse na telecomunicação nacional: a liberação da frequência de 700MHz, que o governo também quer destinar ao 4G. A faixa atualmente é ocupada pela televisão analógica. A demora para liberar os 700MHz no país leva o governo a considerar subsídios para conversão total para o sinal digital.
"Se eu quiser acelerar a digitalização, não posso falar para as pessoas que elas não podem mais ter TV analógica. É preciso haver medidas para que o consumidor compre. Ou damos o receptor ou o conversor ou, em alguns casos, até mesmo o aparelho. O governo vai ter que resolver, pois queremos usar a frequência da tevê hoje na banda larga", afirmou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, em coletiva no MWC.
Outra funcionalidade que começa a pintar em smartphones de ponta no país é o Near Field Communication (NFC, ou comunicação de campo próximo, em tradução livre). A tecnologia pode ser utilizada, por exemplo, para pagamentos, com o mesmo nível de segurança de um cartão de crédito. "Acredito que de 12 a 18 meses essa função estará disponível", estima Rodrigo Meirelles, chefe de mobile para a América Latina da Visa.
Recentemente, a companhia anunciou um acordo com a Samsung para a inclusão de aplicativos de pagamento integrados com NFC direto do celular. Segundo Meirelles, isso deve agilizar a implantação da tecnologia. "Antes, as transações eram baseadas no cartão SIM e envolviam as operadoras de telefone na discussão. Com o NFC, cortamos um intermediário."
