Shirley Pacelli

A Wayra também é a aceleradora do YouCa.st, agência de notícias colaborativas, e do Rockbee, plataforma de descontos em eventos, ambas startups mineiras. Segundo Carlos Pessoa Filho, diretor-geral da Wayra, há 16 empresas iniciantes no programa atualmente: 11 foram escolhidas em novembro de 2011 e cinco em dezembro do ano passado. No mundo todo, a aceleradora recebeu 14 mil projetos e foram mais de 7 milhões de euros investidos só em 2012. “Temos um espaço de 1,2 mil metros quadrados, bem no estilo Vale do Silício. Costumo brincar que lá a gente dá casa, comida e roupa lavada para eles. A internet é de altíssima velocidade, há um espaço de reunião próprio para visita de clientes e recebemos mentores para dar palestras”, conta o diretor. Cada startup recebe até R$ 100 mil durante os 10 meses na academia.
POUCOS SELECIONADOS
Menos de 1% dos projetos apresentados conseguem ser selecionados pela Wayra. E quais seriam os requisitos para fazer parte do time da aceleradora? Segundo ele, é preciso que tenha cerca de dois anos de formação, não mais que isso. Que seja de origem digital, tenha escalabilidade e um diferencial competitivo. “A ideia, por si só, não rende nada. Tem que ter o brilho no olho do empreendedor”, ressalta. Ele esclarece que abre caminho para contatos estratégicos, mas são os empreendedores que devem ir atrás: “No fim do dia, estamos formando empresários, não filhos”, ressalva.

O fracasso também faz parte no mundo dos negócios. De acordo com Carlos Pessoa, só cerca de 10% das startups aceleradas vão dar certo. A Wayra faz um investimento de risco com o empreendedor. Em suas experiências, ele observou que as empresas que tinham o diretor focado 100% do tempo conseguiam uma performance muito maior. “Vai que a Samsung me liga querendo marcar uma reunião amanhã? Se o cara estiver no Maranhão, não vai rolar”, exemplifica, ressaltando que quem passa pelo processo de seleção precisa ir a São Paulo e ficar na academia da aceleradora. Apesar disso, as falhas são encaradas como processo natural no ramo dos negócios. “No Brasil a gente tem mania de punir a falha. Não que a gente queira que falhe mas, se isso ocorrer, tente de uma maneira diferente. É importante falhar com paz de espírito, sabendo que deu o seu melhor”, afirma.
Jornalismo colaborativo
O YouCa.st (https://youca.st), criado pelo jornalista mineiro Felipe Gazolla, de 28 anos, é um convite para o cidadão se transformar em um repórter. A plataforma aproveita a mão de obra colaborativa das ruas, pronta para lançar mão de seus celulares e fazer uma cobertura oportuna de um acontecimento. O site foi lançado na quinta edição da Campus Party. A startup também já passou pelo programa da aceleradora, do Yuri Gitahy, em Belo Horizonte, e participou do Pitch Digital em junho do ano passado. Em 2012, depois de uma seleção entre 518 empresas, a Youca.st foi aprovada para passar pelo programa de aceleração da Wayra. Atualmente, eles estão no estágio de validação comercial.
São cerca de 10 mil usuários cadastros em todo o país. O site recebe o conteúdo e o organiza para apresentar ao público ou servir como fonte para a imprensa que queira adquirir o material. Caso exista a venda de direitos de imagem, o YouCa.st fica com uma porcentagem da transação. A partir do cadastro, o usuário, ao aceitar o termo de uso, já está de acordo com a parte jurídica do negócio.
FOCO JORNALÍSTICO

Como os smartphones estão gravando em HD e isso requer uma conexão excelente, o empresário inseriu a alternativa de o cidadão gravar o vídeo e salvar, para só depois fazer o upload para o site. Assim, ele poderá optar por gastar o plano de dados do seu 3G ou procurar um Wi-fi mais perto. O próximo passo, segundo Felipe Gazolla, é integrar o serviço às empresas de comunicação.

Além da Qranio e da YouCa.st, a Rockbee (rockbee.com.br), serviço de organização de eventos e venda de ingressos on-line, é acelerada pela Wayra. A startup surgiu em julho de 2011. Os usuários cadastrados recebem informações sobre a programação da noite de sua cidade e a compra de ingressos pelo site oferece descontos especiais. Além de divulgação dos eventos, os estabelecimentos contam com páginas próprias para expor as informações da casa e os internautas escolhem quais feeds querem receber. Há ainda página de recomendações e indicações.
O QUE FAZ UMA ACELERADORA?
Busca estimular a startup por meio de captação de recursos e aproximação com o mercado. Auxilia o empreendedor, para que ele possa alcançar resultados de forma mais rápida. Para isso, melhora a estrutura de negócios e amplia a rede de contatos. Em contrapartida à ajuda, as aceleradoras podem ficar com 5% a 15% dos lucros da empresa iniciante.
