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Estado de Minas

Hormônio reduz efeitos negativos da endometriose

Estudo de uma década com o dienogeste mostra resultados preliminares positivos: diminuição de dores e de incômodos no ato sexual. Estima-se que doença atinja 6 milhões de mulheres no mundo


postado em 09/12/2012 06:00 / atualizado em 09/12/2012 07:36

O ginecologista Marco Tulio Vaintraub explica que para controlar a doença é preciso administrar a progesterona, que inibe a produção de estradiol, evitando o crescimento do endométrio(foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
O ginecologista Marco Tulio Vaintraub explica que para controlar a doença é preciso administrar a progesterona, que inibe a produção de estradiol, evitando o crescimento do endométrio (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Doença da mulher moderna, estima-se que a endometriose afete seis milhões de mulheres em idade fértil. Algo entre 10% e 15%. Ela surge quando o sangue menstrual passa pela trompas e vai para a região do abdômen. A menstruação é uma descamação do endométrio (membrana que reveste a cavidade do útero e o prepara mensalmente para uma gravidez), acompanhada da saída de sangue.


Em alguma mulheres, entretanto, parte do sangue não sai pelo canal cervical. Na verdade, volta pelas trompas e acaba chegando à cavidade pélvica e abdominal, dando início à doença. Esse processo é conhecido como refluxo tubário ou menstruação retrógrada. Existem ainda teorias que defendem que a mulher nasceria com os focos de endometriose, desenvolvendo-os ao atingir a maturidade. Ou que ela poderia ser desencadeada em cirurgias, caso parte do endométrio vazasse para fora do útero.

Além do tratamento com laparoscopia – um exame anatopatológico com anestesia geral em que o médico usa o laparoscópio, um longo tubo, rígido ou flexível, com sistema de lentes e fonte luminosa, para visualizar o lado externo dos órgãos, como já cauterizar os focos de endometriose que forem encontrados –, há tratamentos clínicos. O ginecologista Marco Túlio Vaintraub explica que para o endométrio crescer o organismo produz um hormônio chamado estradiol. Então os tratamentos consistem em administrar outro hormônio, a progesterona, que inibe a produção de estradiol, evitando o crescimento do endométrio.

Os tratamentos existentes são os análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), damazol, acetato de leuprolida e o dienogeste. Esse último, o mais recente deles, esteve em estudo desde 2002 e animou o ginecologista. “Temos percebido uma variedade de benefícios. O damazol tem muitos efeitos colaterais; proporciona aumento de peso, espinha, mau humor, mas principalmente efeitos que masculinizam a mulher. O análogo do GnRH coloca a mulher em estado de menopausa. Então ela passa a ter todos os sintomas, como ondas de calor, secura vaginal, insônia, a mama diminui de tamanho. E é um tratamento que não pode ser longo, deve ser ministrado no máximo por seis meses, pois a mulher tem perda de massa óssea e até problemas de coração”, detalha Vaintraub.

Hans-Rudolf Tinneberg, presidente da Liga Europeia de Endometriose e da Sociedade Alemã de Ginecologia Endoscópica, falou sobre o uso do dienogeste durante a último Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo), em Roma, na Itália. “Em endometriose, é importante pensar no tamanho da lesão, tempo de instalação da doença e nos efeitos causados na qualidade de vida da mulher. Nos estudos realizados com o dienogeste, percebemos importante redução, de 38% para 4%, no sangramento prolongado das mulheres, alívio da dor, melhor função física, funcionamento social e saúde mental”, revela.

Sobre os efeitos colaterais gerados por esse hormônio, ele diz que foram percebidas dores de cabeça e nas mamas, que são típicas das progestinas. “Um dado a se comemorar é que o dienogeste eliminou os vômitos, e mais relevante ainda, não alterou em nada a densidade mineral óssea das mulheres. Efeitos colaterais comuns em pacientes em uso de acetato de leuprolida”, destaca.

Vaintraub explica que o dienogeste também é uma progesterona, mas tem ação anti-inflamatória considerável, diminuindo bastante a dor e os incômodos da endometriose. “Ele não é muito forte, tem uma quantidade de substâncias apenas suficiente para baixar o nível de estradiol e não deixar o endométrio crescer. Com isso, pode ser usado por anos. Outra fator fundamental é o valor. Ele custa um terço do tratamento dos hormônios análogos”, garante. O dienogeste custa por volta de R$ 150 e os análogos até R$ 500.  


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