
A pesquisa foi inicia da há mais de uma década e procurou exemplares de tarântulas arbóreas não só na natureza, mas também nos acervos de museus nacionais que podiam guardar espécimes ainda não identificadas. No total, são nove as novas espécies descritas, elevando o total conhecido no mundo para 16. Normalmente, elas são encontradas em locais de clima tropical da Ásia, África, Caribe, América do Sul e Central, sendo que, no Brasil, são comuns na região amazônica. A localização é o primeiro fator que surpreende nos resultados encontrados por Bertani, já que as novas espécies foram identificadas em áreas de cerrado e da mata atlântica. “O interessante nessa distribuição é que elas são endêmicas, aparecem muito limitadas a áreas mais preservadas. Com o desmatamento, uma região que já era naturalmente pequena fica menor. Assim, a espécie corre o risco de desaparecer”, detalha o pesquisador do Instituto Butantan, em São Paulo. Foram pelo menos quatro espécies identificadas em áreas de cerrado, muito próximas da caatinga.
Bertani considera que as tarântulas arborícolas menores estão entre os principais achados da pesquisa. Isso porque elas representam um grupo que divergiu logo no início da cadeia de evolução das caranguejeiras e podem ser consideradas verdadeiros “fósseis vivos”. “Ainda não é possível saber quão antigas são essas espécies, pois isso depende de uma análise rigorosa de DNA. Porém, pela relação de parentesco, elas seriam as mais antigas das Américas”, acredita. Segundo o especialista, a pesquisa só demonstra como ainda há muitas espécies que rodeiam o homem e ainda precisam ser identificadas.
