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Estado de Minas

Em resposta à sujeira

Movimento incentiva eleitores a darem o troco nos maus políticos e tem imediata adesão de internautas, que fazem intervenções na imagem dos candidatos lambões


postado em 30/08/2012 13:04

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)

Imagine a cena: sua rua está tomada por cavaletes de políticos em campanha. Em um dia de tempestade, eles ganham os céus ao sabor da ventania e transformam-se em armas contra a população, no melhor estilo salve-se quem puder. A história aconteceu de verdade em Porto Alegre (RS), em 2010. Isso, somado à sujeira na cidade causada pela enxurrada de panfletos, cartazes e faixas irregulares, motivou a criação do movimento Sujo sua cara (facebook.com/sujosuacara). Com o lema “Você suja minha cidade, eu sujo sua cara”, o grupo incentiva as pessoas a darem o troco nos maus políticos sujando a cara deles. A página virtual reúne as bem-humoradas intervenções dos internautas nos santinhos de candidatos de todo o Brasil. Um bigodinho aqui, um nariz de palhaço acolá, mais um clique e pronto: o movimento caiu nas graças do público. Desde a criação da fan page, em 21 de julho, a página já recebeu mais de 100 imagens dos internautas e cerca de 2 mil curtidas.

A iniciativa partiu de três gaúchos que preferem não se identificar, porque a ação pode ser considerada incitação ao vandalismo. “Embora muita gente nos apoie, acho arriscado, pois os políticos têm muito mais poder que nós”, justifica João (nome fictício), um dos membros. O Sujo sua cara começou há dois anos como um tumblr (http://sujosuacara.tumblr.com), que permanece on-line, mas mudou-se para o Facebook em julho. A razão da mudança, segundo o grupo, foi porque o tumblr é uma plataforma muito volátil. “As pessoas divulgavam o endereço virtual dizendo que era ‘o tumblr da semana’ e o nosso objetivo é manter o movimento forte até o dia das eleições. Além disso, o Facebook tem altíssimo potencial de engajamento, interação e viralização”, explica João.



De ninja a Chaplin Os mineiros estão na lista dos internautas que mais contribuem com conteúdo para a página, além de cidadãos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Entre as intervenções mais criativas, o grupo destaca um internauta de Campinas (SP) que transforma os políticos em ninjas. Fora isso, os candidatos que viram personagens famosos, como David Bowie, Charlie Chaplin, Jason e a banda Kiss, são os mais curtidos. Para a equipe responsável pela página, a ideia caiu no gosto do público, porque, de certa forma, as pessoas já fazem essa brincadeira de desenhar careta nos candidatos. “O normal seria todo mundo ficar reclamando da sujeira nas redes sociais, sem de fato fazer alguma coisa. Só assim conseguiremos inibir o uso excessivo de cavaletes”, ressalva João.

 Segundo ele, a iniciativa é importante como forma de protesto e sem a internet não seria possível atingir tantas pessoas, de todas as regiões do país. “Ridicularizar a cara de quem suja a cidade parece ser uma reação eficiente e ao mesmo tempo prazerosa”, provoca. O grupo destaca como positiva a campanha Sujeira não é legal (campanhasemsujeira.tre-mg.jus.br) do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). “Se os candidatos seguissem os conselhos do TRE-MG, nós não precisaríamos existir”, brinca João. O objetivo da campanha do TRE-MG é valorizar atitudes positivas para o processo eleitoral. O site reúne orientações sobre a propaganda eleitoral e a transparência nas contas de campanha. A página do Facebook, atualizada constantemente (facebook.com/SujeiraNaoeLegal), posta inclusive fotos de blitz contra propaganda irregular. Outra página, com uma pitada mais agressiva, é o tumblr Arrumei tua campanha (http://arrumeituacampanha.tumblr.com). Na Bahia, surgiu com a mesma proposta o Combate ao assédio eleitoral

(http://combateae.tumblr.com).

 

Arte? Para quê arte?
Bastou chegar a temporada de eleições para que o grafite do belo garotinho, com nariz de palhaço, fosse escondido por camadas de cartazes de candidatos a vereador de Belo Horizonte. Nilo Zack e Lídia Viber, reconhecidos grafiteiros do Ctor-9 e responsáveis pelo trabalho, resolveram refazer todo o mural na Av. Presidente Antônio Carlos, próximo ao número 4.926, no Bairro São Francisco. No início de agosto, eles gravaram um vídeo durante a atividade na construção abandonada. Dez dias depois do vídeo ser postado no YouTube, o muro e a casa que servia de abrigo a moradores de rua foram demolidos.
http://bit.ly/SIUQ9p

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