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Estado de Minas

Conheça os prejuízos causados pela hipertrofia da adenoide


postado em 30/03/2012 08:33 / atualizado em 30/03/2012 09:27

Conheça os problemas provocados pela obstrução
Conheça os problemas provocados pela obstrução
Queixas frequentes sobre a qualidade do sono dos filhos têm levado muitas mães a procurar consultórios médicos em busca de soluções para problemas como ronco, apneia e respiração bucal. Em poucos minutos de conversa com um especialista e depois de um exame feito ali mesmo, costuma vir o diagnóstico de hipertrofia da adenoide, que causa obstrução da respiração. Se ela é grande (cerca de 80%), a descoberta costuma vir acompanhada da indicação de cirurgia, fazendo com que a adenoidectomia seja um dos procedimentos mais realizados em crianças, como afirma o otorrinolaringologista Cheng T-Ping, presidente da Sociedade Mineira de Otorrinolaringologia.

Segundo o especialista, a adenoide – um tecido linfoide (produz células de defesa) que fica atrás do nariz e acima do céu da boca em um espaço chamado de rinofaringe – começa a crescer depois de 1 ano e, a partir dos 5 ou 6, ocorre uma diminuição natural do tecido até que, perto da adolescência, há apenas uma quantidade residual da adenoide.

Em algumas crianças, contudo, o tamanho exagerado do tecido causa tantos problemas à saúde que não vale a pena esperar que apenas o tempo se encarregue de diminuí-lo. É quando as mães costumam levar os filhos ao consultório dizendo já ter tentado de tudo, sem sucesso. E elas ainda têm que ver as crianças apresentando problemas como dificuldade de concentração, irritabilidade, sonolência diurna ou hiperatividade, falhas no crescimento, transtornos auditivos e alterações craniofaciais significativas.

Outra consequência óbvia da hipertrofia de adenoide é a respiração oral de suplência (ROS), ou simplesmente respiração oral. A criança fica o tempo todo com a boca entreaberta e surge, então, um conflito muito comum que é a briga dos pais para que a criança feche a boca.

Na tentativa de aumentar o espaço atrás da garganta para a passagem de ar, a criança tende a protruir a língua (jogar a língua para a frente e para cima). Esse movimento empurra os dentes para a frente e o céu da boca (palato) para cima. O resultado dessa "pressão" ao longo de anos é a protrusão dentária e o "palato ogival" (curvo para cima).

Como o tecido adenoide fica muito próximo do "túnel" que comunica o ouvido com a garganta, a chamada tuba auditiva, seu aumento de tamanho pode acabar provocando oclusão dessa passagem, impedindo a entrada e saída de ar no ouvido, e ocasionando as chamadas otites de repetição.

Audição prejudicada

Além de todos os inconvenientes do uso de antibióticos de forma recorrente por conta das otites, a criança cujo ouvido inflama com muita frequência acaba acumulando líquido nos ouvidos, correndo o risco de sofrer perdas auditivas. Embora possam ser reversíveis em muitos casos com a absorção ou drenagem do líquido, as perdas são um problema que merece atenção. Como a criança ainda está adquirindo linguagem, qualquer pequeno prejuízo auditivo é suficiente para impedir que ela perceba diferenças entre fonemas como "p" e "b" ou "t" e "d". “A criança ainda está aprendendo e se não escuta bem nessa fase pode ter problemas de linguagem persistentes. Por isso a perda auditiva por conta da hipertrofia de adenoide é um fator que fala muito a favor de cirurgia”, ressalta o otorrinolaringologista Anuar Atalla.

A deformidade palatal, por sua vez, prejudica o septo nasal (pois o teto da boca é o assoalho do nariz), causando um desvio de septo na vida adulta. “Além dessas deformidades, a respiração oral afeta de maneira impressionante a forma como os ossos da face crescem e o formato que eles adquirem. O terço médio da face tende a se alongar, a maxila fica mais estreita e a mandíbula mais para trás (retrognatismo)”, explicam os especialistas.

É complicado acompanhar a luta da criança para respirar, todas as noites, por vários anos, principalmente quando o tratamento clínico se mostra ineficaz. Como tudo em medicina, a decisão de operar é baseada em uma balança entre risco e benefícios. “Quando o benefício da cirurgia é nítido e supera sem sombra de dúvida o risco do procedimento, deve-se optar pela cirurgia”, afirma Atalla.

Ele vivia irritado, sonolento e dormia mal
Ele ainda era bebê quando começou a apresentar problemas respiratórios. A mãe de Lucas Vaz Marques, hoje com 5 anos, Rosemaire Marques, de 39, conta que ele vivia gripado, apresentava dificuldades respiratórias e dormia muito mal. As crises de apneia logo apareceram também e, por volta de 1 ano e meio de idade, foi dado o diagnóstico de hipertrofia da adenoide. “Tentamos vários tratamentos para melhorar as crises e livrá-lo dos quadros de sinusite. Mas nada adiantava. Meu filho vivia irritado, tinha dificuldade para falar, dormia mal e ficava sonolento à noite. Era terrível vê-lo apresentando tanta dificuldade para respirar”, lembra. Quando Lucas completou 3 anos, sem nenhuma melhora do quadro, Rosemaire decidiu pela cirurgia. “Felizmente, deu tudo certo e a recuperação dele foi muito boa. Hoje, meu filho dorme muito melhor, come de tudo é já recuperou o ritmo de crescimento.”

 

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