Publicidade

Estado de Minas

Resposta às tragédias

Redução da criminalidade e gestão dos recursos são algumas facilidades da tecnologia para as cidades. Projetos com foco no meio ambiente também são estrelas para um mundo melhor


postado em 17/11/2011 10:00

Rio de Janeiro – Uma cidade inteligente não nasce do nada. Geralmente, é preciso algo que impulsione o seu desenvolvimento. Em Madri, capital da Espanha, os atentados terroristas nas estações de trem e de metrô há sete anos provocou uma reviravolta no modo como é feita gestão de segurança na cidade. O primeiro passo foi a montagem de um centro integrado para atender as demandas da população com mais rapidez e eficiência. "Na época dos ataques, as pessoas não tinham sequer uma forma de comunicação nas estações de metrô. Era preciso subir todas as escadas para conseguir sinal de celular. Agora, a cidade está coberta e é possível denunciar algo pela redes sociais", explica Pablo Escudero, diretor-geral do Departamento de Polícia de Madri.

Na cidade espanhola, as polícias e os principais órgãos do governo estão interconectados por um único sistema. Assim, caso ocorra um acidente de trânsito ou mesmo uma catástrofe, todo saberão ao mesmo tempo. Os veículos dos departamentos de segurança contam ainda com sistema de GPS integrado, o que permite saber onde estão e qual chamada foram atender. Madri ganhou ainda câmeras de segurança espalhadas pelos principais pontos. "Conseguimos reduzir os crimes em mais de 21%, de 2003 até 2010, enquanto em outras cidades do país que não contam com o sistema implementado pela IBM esse índice cresceu 9%", ressalta Escudero. A população também se sente mais segura e 75% acreditam que os serviços públicos melhoraram.

No caso do Rio de Janeiro, as enchentes que mataram quase 200 pessoas em abril do ano passado serviram de impulso para a criação do Centro de Operações da cidade, que monitora as áreas de risco, oferece comunicação integrada entre os principais órgãos do estado e dá aos moradores a possibilidade de se manterem atualizados por meio do Facebook e do Twitter. "Compartilhamos esses dados com a população por meio da telefonia móvel, o que permite que os cidadãos tomem iniciativas para o bom funcionamento das cidades", disse Eduardo Paes, prefeito do Rio, durante o evento.

"As cidades produzem hoje mais dados do que qualquer pessoa pode imaginar. É só ver a situação das carteiras de identidade. Cada cidadão pode ter 27, uma de cada estado. Por isso, a necessidade de integração. Com o sistema, pode-se saber tudo, até mesmo com antecedência. É como aquele filme estrelado por Tom Cruise, Minority report – a nova lei, só não temos os médiuns", explica Pedro Almeida, diretor de estratégias para Smart Cities da IBM.

Em Nova York, esse sistema já funciona para identificar criminosos no meio de multidões. O programa faz um mapa geográfico do lugar e o classifica por categoria de risco. "É possível fazer análises individuais, por exemplo, pela quantidade de carros vermelhos que passaram pelo local, e ainda pelo reconhecimento da face", aponta Mark Cleverly, diretor de soluções de segurança pública da IBM.

Em uma experiência dentro de um estádio de futebol, foram colocadas seis pessoas cadastradas no sistema como perigosas entre 20 mil espectadores. O software, por meio das câmeras de vigilância, conseguiu reconhecer cinco envolvidos. A cidade contabiliza 30% a menos no número de crimes desde a implantação, em 2001.

Sustentáveis
Em alguns casos, ações isoladas conseguem abrir a mente das pessoas para a criação de cidades inteligentes. Quando Nova Orleans foi devastada pelo furacão Katrina, mais de 80% da cidade ficou debaixo d’água, inclusive a Universidade Tulane, uma das mais famosas da região. O prédio em que funcionava o centro de arquitetura e artes ficou completamente destruído. Essa foi a oportunidade que os responsáveis pelo local encontraram para fazer um prédio mais inteligente.

"Usamos a tecnologia para informar aos estudantes o quanto de água e energia está sendo consumido. Em vários locais da universidade é possível encontrar telas com informações e dicas para tornar o ambiente mais sustentável. Coletamos e gerimos os dados para evitar gastos exorbitantes", disse Kenneth Schwartz, decano da Tulane.

Na Costa Rica, a ordem é ser sustentável com o auxílio da tecnologia. "Com o governo, temos metas ambiciosas, como neutralizar todo o carbono até 2021. Começamos repovoando e regenerando o Centro da cidade e criamos corredores biológicos naturais entre as principais áreas da região", explicou Alfonso Gómez, presidente da Fundación Metrópoli, empresa especializada em consultoria para ambientes sustentáveis.

O incentivo ao uso das redes Wi-fi espalhadas pela cidade para tirar segunda via de documentos e pagar impostos é um dos primeiros passos. Com isso, a quantidade de pessoas que circulam de carro pela região central deve cair consideravelmente, segundo Gómez. Além disso, será criado um bondinho com integração ao sistema de ônibus, como forma de diminuir o tráfego.

De olho no supermercado
Durante o SmartCamp deste ano, evento feito pela IBM para identificar jovens empreendedores, a empresa escolheu cinco startups – companhias que ainda estão dando os primeiros passos – que desenvolveram aplicativos com soluções tecnológicas capazes de auxiliar nos problemas mais comuns das grandes cidades. O vencedor, que será convidado a participar de um evento global e competir com outros projetos do mundo pelo título de Empreendedor Global do Ano da IBM, foi o aplicativo IDXP.

O programa vencedor traz uma solução que promete ser uma mão na roda para os donos de supermercados. Sensores instalados pelas lojas e nos carrinhos vão mostrar como os consumidores se comportam. Por exemplo, é possível identificar quais são os setores que recebem maior fluxo de pessoas e onde elas gastam mais tempo olhando os produtos.

Entre os outros finalistas estava o Easy Taxi (ou táxi fácil, na tradução para o português). Com um clique no smartphone, o programa localiza o ponto de táxi mais próximo do usuário e liga para ele, calcula o valor da corrida e pode receber o pagamento on-line. A solução economiza tempo e ajuda a gerenciar o tempo de espera.

As condições do tráfego em tempo real poderão ser verificadas por meio do aplicativo Mobwise, o segundo candidato. Ele sugere a melhor rota para o destino indicado e mostra ainda locais nas redondezas que oferecem descontos de produtos.

O Opará e o Prime Health fechavam a lista de candidatos. O primeiro é um sistema de rastreamento de uma cadeia de produção de frutas, da fazenda aos supermercados. O segundo analisa o perfil de pacientes em hospitais e identifica o risco em potencial para que ele desenvolva doenças crônicas.


Publicidade