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Estado de Minas CALOR RELAXANTE

Conheça o Moxabustão, técnica terapêutica que não usa agulhas

Ele atua em pontos específicos a partir da queima de erva com ação analgésica, anti-inflamatória e cicatrizante. Técnica pode ser usada por quem tem aversão a agulhas


postado em 13/11/2011 11:49 / atualizado em 13/11/2011 11:53

Diferentemente da técnica anterior, o bastão é usado para aplicação indireta (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Diferentemente da técnica anterior, o bastão é usado para aplicação indireta (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Ao falar de acupuntura, vêm à mente as agulhas bem finas que de maneira precisa ativam diversos pontos do corpo. Mas não é apenas desses instrumentos que vive a terapia milenar chinesa. O próprio nome acupuntura remete a dois ideogramas chineses: zhen, que significa agulha, e jiu, que significa fogo. Os mais de 1 mil pontos distribuídos por orelhas, mãos, pés e outras partes podem ser ativados não só por perfurações, mas também pelo calor. Trata-se da moxabustão, técnica terapêutica da medicina tradicional chinesa. Moxa teria como origem tanto o termo português mechia (mecha) quanto a palavra em japonês mogusa (variedade da artemísia, planta que se usa para a realização da técnica).

Uma das técnicas de acupuntura, a moxabustão consiste no estímulo dos pontos acupunturais por meio do calor da queima da lã de folha de Artemísia vulgaris – planta de origem chinesa disseminada por todo o mundo. A aplicação pode ser feita de forma direta, semidireta e indireta. Na aplicação direta, o acupunturista coloca um chumaço de erva (sob a forma de cone ou de bolinha) sobre algum ponto do corpo e depois ateia fogo à lã. Nesse caso, há um contato direto do material em combustão com a pele, o que pode causar marcas. Na China, as pessoas ainda fazem uso dessa técnica, que foi abandonada nos países ocidentais por deixar cicatrizes.

Na semidireta, é necessário colocar um anteparo entre a erva que será queimada e a pele. Pode ser sal grosso, colocado dentro de um anel de chifre de boi. Também podem ser usadas lascas de gengibre e alho com algumas perfurações que permitem a entrada da substância em combustão. Na indireta são usados os bastões de moxa, e não contato com a pele.

De acordo com o acupunturista Paulo Noleto, presidente do Conselho Regional de Acupuntura de Minas Gerais e diretor da Faculdade Incisa-Imam, a queima tem ação térmica , com ondas infravermelhas e bioquímicas, permitindo a liberação de substâncias da erva que penetram na pele. A combinação tem ação analgésica, anti-inflamatória e cicatrizante.

A acupuntura de modo geral, inclusive a moxabustão, ativa a circulação sanguínea, e, com isso, ocorre a nutrição dos tecidos. “A dor é causada porque o sangue não circula livremente. Portanto, não é feita a troca de nutrientes com os tecidos. A acupuntura promove a autorrecuperação, estimulando o sangue a circular”, diz. Paulo lembra que o corpo produz endorfina e serotonina, substâncias que são analgésicas e anti-inflamatórias. Segundo ele, a moxabustão aquece e faz o qixue (o termo chinês significa energia e sangue) circular e retroalimentar os tecidos.

De acordo com o especialista, a moxabustão complementa a acupuntura com agulhas no tratamento de síndromes crônicas e de “natureza fria”, como rigidez articular, dores profundas, diarreias, colapsos, desmaios, coma, doenças de baixa imunidade. “É muito indicado para o tratamento de idosos”, diz. Não é prescrito para crianças, porque elas têm sistema imunológico mais reativo. “As crianças são yang, ou seja, são ativas, inquietas.

A moxabustão é para quem está com deficiência de yang, com fraqueza corporal e imunológica. “O tratamento depende da gravidade do problema de saúde. Cada série é composta por 10 sessões. “Quanto mais crônicas as doenças mais sessões serão necessárias.” A aplicação é indolor, mas pela alta capacidade de combustão, pode-se sentir o calor.

A técnica de moxabustão também pode ser usada por quem quer fazer acupuntura, mas tem aversão às agulhas. A farmacêutica Kátia Linces Álves Lélis, de 55 anos, não só faz o tratamento com a artemísia, como resolveu aprender a terapia chinesa. Ela já fez moxa por questões estéticas, tratamento facial, contra a flacidez e também para reequilibrar as energias. “Assim que termina a aplicação, imediatamente você nota a diferença”, diz. Como ela faz curso de acupuntura, consegue inclusive aplicar a moxa por conta própria.

CONFERÊNCIA O crescimento e a força da medicina tradicional chinesa trouxeram para o Brasil a Conferência da Federação Mundial de Acupuntura e Moxabustão (WFAS), órgão consultivo da Organização Mundial de Saúde (OMS) quando o assunto é acupuntura. O evento ocorreu na semana passada em São Paulo, com acupunturistas de todo o mundo, inclusive da China.

O encontro teve como objetivo promover o desenvolvimento e a disseminação da acupuntura e moxabustão, bem como possibilitou o convívio e a cooperação entre especialistas de todo o mundo. Com base na Declaração de Pequim, aprovada pelo congresso da OMS sobre o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa, a conferência também discutiu estratégias para promover o intercâmbio acadêmico, debate sobre a legislação, normatização, educação/formação e investigação científica sobre a acupuntura.


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