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Estado de Minas

Buscas do futuro


postado em 21/04/2011 11:54

Ironias à parte, até a teoria da computação precisa de um update. E urgente, nas palavras de John Hopcroft, uma das maiores referências mundiais no assunto, que esteve na UFMG na última semana. “Estamos no meio de uma revolução. A teoria da ciência da computação deve mudar, para se adequar à era da informação. Temos que desenvolver outra teoria”, disse o senhor de 71 anos, que se formou em engenharia elétrica em 1964, tempo em que, frisou, “nem existiam departamentos da ciência da computação”. De lá para cá, ele ganhou o Prêmio Turing, o equivalente ao Nobel da computação, e escreveu livros que são essenciais no ensino da área.

Por isso, o silêncio da audiência condizia com o respeito a uma autoridade. Diante dos estudantes apinhados e atentos no auditório do Instituto de Ciências Exatas   (Icex), o professor mencionou que o Google foi um grande avanço. Ressaltou, contudo, que há muito a fazer no sentido de entregar às pessoas soluções de busca capazes de atender às necessidades cada vez mais específicas de uma era em que a informação digitalizada muda expectativas e exigências.

As ferramentas de busca não podem mais ter dúvidas. Precisam entregar soluções completas.diz, John Hopcroft, professor da Universidade de Cornell (EUA)
As ferramentas de busca não podem mais ter dúvidas. Precisam entregar soluções completas.diz, John Hopcroft, professor da Universidade de Cornell (EUA)
“As ferramentas de busca não podem mais ter dúvidas. Precisam entregar soluções completas. Que tipo de carro eu devo comprar? Qual faculdade eu deveria frequentar? A qual cafeteria eu deveria ir?”, exemplifica Hopcroft. Para isso, novos modelos matemáticos com padrões otimizados devem sair das pranchetas de talentos da computação, antenados com essas necessidades. Por isso, aliás, ele veio ao Brasil (como foi à China seis vezes no último ano, além de Vietnã, Tunísia, Índia, Arábia Saudita), em busca, sem trocadilho, de interessados em vagas no doutorado da Universidade de Cornell (EUA).

Em um contexto em que as pessoas compartilham muito sobre si mesmas na internet, há condições teóricas, por exemplo, de um sistema saber que, se Hopcroft, cientista da computação que é, faz uma busca por “Michael Jordan”, não está interessado no esportista, mas sim no cientista da computação homônimo do jogador de basquete.

A questão esbarra no gerenciamento da privacidade, “uma das grandes áreas de interesse em pesquisa nos próximos 15 anos”, na opinião de Hopcroft. O desafio é desenvolver maneiras de encriptar partes da informação disponível, por exemplo, em mídias sociais, de modo que se saiba do usuário apenas o que se precisa saber para entregar resultados de busca mais inteligentes e apropriados às novas expectativas.

“Os limites da privacidade estão em queda. No passado havia muita informação sobre você, mas não estava acessível. Com tanta informação disponível em meio digital, essa é uma questão que vai demandar muita atenção de quem desenvolve as ferramentas de busca”, acredita.

Outra preocupação dos especialistas, defende o professor, deve ser o monopólio das buscas. Mesmo com redução de 10% de mercado desde que o Yahoo! se uniu ao Bing, da Microsoft, o Google mantém bons 64,42% das atenções, de acordo com dados do serviço de informações Hitwise, divulgados esta semana. “Quanto mais distribuída, melhor é a informação. Os pesquisadores precisam achar protocolos que qualquer um possa acessar.”

A busca, de novo sem trocadilho, das respostas a tantos desafios passa por encontrar novos pesquisadores que se interessam por essas questões – explicação para Hopcroft sair da Faculdade de Cornell em Nova York e estreitar os laços com a UFMG. “Eu aconselho, semestralmente, 18 alunos de graduação. E digo sempre que é preciso escolher uma carreira de que se goste. Nos divertimos algumas horas na vida e trabalhamos em muito mais horas. Se o seu trabalho é algo que você tenha prazer fazendo, terá mais horas de felicidade”, conclui com otimismo, sob os aplausos da moçada.

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