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Estado de Minas ELIMINATóRIAS DA COPA

Desinteresse pelos jogos da Seleção Brasileira reduz a transmissão pela TV

Craques do passado opinam sobre o que teria levado o torcedor brasileiro a perder o interesse pelos jogos do Escrete Canarinho


22/11/2020 04:00

No jogo em que o Brasil ganhou do Uruguai por 2 a 0, na terça-feira, não houve transmissão pela TV aberta (foto: CBF/Divulgação)
No jogo em que o Brasil ganhou do Uruguai por 2 a 0, na terça-feira, não houve transmissão pela TV aberta (foto: CBF/Divulgação)
Uma das marcas mais conhecidas no mundo, a Seleção Brasileira de futebol vive crise de popularidade. Mesmo com um dos melhores começos em eliminatórias sul-americanas da história, com quatro vitórias em quatro jogos, vê aumentar o desinteresse pelos jogos, a ponto de os mesmos não serem sequer transmitidos pela TV aberta, como ocorreu na vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai, terça-feira, em Montevidéu.

Com isso, só pode ver a melhor performance dos comandados de Tite quem se dispôs a pagar R$ 20 ou era assinante de serviços de streaming ou pay-per-view. Muitos tentaram alternativas fora da lei, como links piratas – o Google registrou como tendência no Brasil o duelo contra os uruguaios. De qualquer forma, muito pouco se comparado à audiência de outras épocas.

“Lembrei-me da minha adolescência, em 1950, quando ligava o rádio para saber como estava o jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Mas sou um idoso, tenho mais de 80 anos. O que me preocupa é que meu neto de 14 anos, que joga, adora e respira futebol, estava no videogame na hora (do jogo)”, escreveu no Twitter o ex-zagueiro Procópio, que defendeu, entre outros, Atlético, Cruzeiro, Fluminense e São Paulo, além do próprio escrete canarinho em 10 partidas, e que também foi treinador.

Ele aponta alguns fatores, como a queda da qualidade dos convocados e também fatores extracampo como motivos para que a Seleção já não desperte tanto interesse. “Tem jogador sendo protegido. Outro, melhor, sendo preterido. Há convocação mais por interesse do que por mérito. Tudo isso causa um descrédito e afasta o torcedor”, diz o Procópio.

A qualidade também é apontada por outro ex-defensor, Vantuir Galdino, como um dos motivos de o Brasil não “parar” para ver a canarinho jogar. “Não temos mais craques como antigamente, a qualidade técnica dos jogadores caiu, não tem mais atletas como Tostão, Pelé, Jairzinho, Rivelino, Gérson e Reinaldo. Os melhores estão fora do Brasil e não são nem craques, só bons jogadores”, diz o ex-zagueiro, revelado pelo Galo e que também defendeu Flamengo e Grêmio, além de ter vestido a amarelinha em nove jogos.

Já quem conhece bem o mercado vê motivos além do futebol para explicar a atual situação da Seleção Brasileira. “Há uma gama de fatores para explicar o desinteresse pela Seleção. Se você pegar as placas de publicidade, elas valiam mais em jogos da Seleção que nos dos clubes. Agora mudou, até porque a Rede Globo entrega nacionalmente um retorno muito bom para os anunciantes. Também há a presença de novos players, a Conmebol repatriou dinheiro e quer assumir protagonismo. Tudo que envolve dólar alto dificulta a vida de todos, inclusive da emissora que quer transmitir o futebol. E há também a questão de crise de credibilidade. A Seleção Brasileira desfalca os clubes. Os flamenguistas não tiveram um dos jogadores mais caros (Éverton Ribeiro) contra o São Paulo, quando foi eliminado da Copa do Brasil. Isso gera não só indiferença, mas ódio à Seleção”, explica Amir Somoggi, sócio da Sports Value Marketing Esportivo, que tem 20 anos de experiência em marketing e gestão esportiva.

NEGOCIAÇÕES
 Pelo atual acordo firmado pela CBF, a Rede Globo tem os direitos de transmitir os jogos da Seleção Brasileira realizados em território nacional. Porém, nos jogos fora do país, não há acordo e cada partida vem sendo negociada em separado.

No caso do jogo com o Uruguai, Globo, Band e SBT chegaram a negociar a transmissão, mas a empresa espanhola Mediapro, que negocia os direitos da Associação Uruguaia de Futebol (AUF) teria pedido R$ 5 milhões, valor considerado inviável, ainda mais em um ano marcado pela pandemia da COVID-19, em que quase todos estão contendo gastos.

Contra o Peru, pela segunda rodada das Eliminatórias Sul-Americanas, em 13 de outubro, o jogo só foi exibido de forma gratuita por intervenção da CBF. A entidade comprou os direitos e os repassou à TV Brasil, canal estatal, num claro agrado ao governo federal.

O risco é perder o cliente, que não parece disposto a pagar para ver jogos contra equipes fortes, como o Uruguai? Que dirá diante de adversários mais fracos? 

O próximo compromisso do Brasil nas Eliminatórias é só em 24 de março de 2021, quando visita a Colômbia. Mais uma vez, não se sabe se haverá transmissão na TV aberta.

enquanto isso...


Empresa admite propina

A Mediapro reconheceu, na quarta-feira, que funcionários da Imagina Media Audiovisual SL, empresa na qual detém participação acionária, pagaram propina a executivos da Fifa para obter direitos de transmissão de jogos das Eliminatórias para as Copas do Mundo de 2014, 2018 e 2022.O dinheiro teria como alvo compromissos da Concacaf. A empresa diz ter demitido três funcionários responsáveis pela irregularidade.



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