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Estado de Minas REBAIXADO

Hora de reconstruir

Depois de disparar contra a diretoria, Perrella fala em união para arrumar a casa e voltar à Primeira Divisão. Adilson Batista se coloca à disposição para ajudar em campo


postado em 09/12/2019 04:00

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
 

"A dor é forte e profunda. Quando me lembro do sofrimento das pessoas, eu me dirijo a eles e peço desculpas (%u2026) Espero que as pessoas responsáveis, cada um tem sua responsabilidade, paguem pelo que fizeram com o Cruzeiro"

Zezé Perrella, gestor de futebol do Cruzeiro



Poucas vezes se viu um clima tão hostil depois de um jogo de futebol no Mineirão. Enquanto a torcida entrava em conflito com a Polícia Militar e depredava as cadeiras do estádio, jogadores de Cruzeiro e Palmeiras correram rapidamente para o vestiário numa das noites mais tristes da história celeste. O discurso da diretoria, do técnico Adilson Batista e dos poucos jogadores que falaram depois da partida tiveram o mesmo sentido: é preciso que muitas coisas sejam feitas para que a equipe volte para a Primeira Divisão. E o gestor de futebol Zezé Perrella ainda disparou contra a gestão de Wagner Pires de Sá.

Ele sabe que o caminho para a reconstrução é difícil, mas pede união para que todos ajudem o Cruzeiro a recuperar seu histórico de títulos: “Que nós tenhamos isso como aprendizado, com erros que não se repitam. A dor é forte e profunda. Quando me lembro do sofrimento das pessoas, eu me dirijo a eles e peço desculpas. Mas estou com a consciência tranquila, pois tive coragem de tentar e não acovardar e fugir. O apelo que eu faço aos cruzeirenses é que nos ajude na reconstrução. Foram feitas contratações temerárias que não foram pagas. Espero que as pessoas responsáveis, cada um tem sua responsabilidade, paguem pelo que fizeram com o Cruzeiro”.
 

"Quero fazer parte dessa reconstrução, dar apoio, trabalhar, mostrar para essa geração mais nova como é o Cruzeiro"

Adilson Batista, treinador celeste

 
A reformulação passará pelos atletas com altos salários e já em idade avançada, casos do armador Thiago Neves e do atacante Fred (cujos salários chegam a R$ 1,5 milhão). “A maioria tem contrato em vigor. Mas se tínhamos dificuldade de pagar esse salário na Primeira Divisão, imagina na Segunda? Vou tentar conversar. Quando se gasta mais que recebe leva o clube à falência. O Cruzeiro tem dois meses de salários atrasados. Os próprios jogadores não me cobravam. A carreira deles estava em jogo. Um time que não consegue se firmar, desequilibrado, em que a bola queima nos pés. O Cruzeiro teve todas as oportunidades do mundo para não cair”, afirma Zezé Perrella.

Contratado para tentar salvar o clube nas últimas três rodadas, o técnico Adilson Batista revelou ter tido uma conversa com Rogério Ceni, que dirigiu o time neste ano, sobre os bastidores do clube: “Tem muita coisa errada. Falta intensividade, aspecto físico, um monte de coisa... Quero fazer parte dessa reconstrução, dar apoio, trabalhar, mostrar para essa geração mais nova como é o Cruzeiro. Ali está o futuro do Cruzeiro. É triste encarar uma Série B. O Cruzeiro teve um ano difícil, alguns anos vem sofrendo com isso e está pagando hoje. É uma linda história, com exemplos. Temos visto coisas erradas. Quero dar minha contribuição e me entregar de corpo e alma”.
 

"Não dá para acreditar. Rebaixado. O que aconteceu com o Cruzeiro? Perder dentro de casa, ir para a Segunda Divisão, é um absurdo. O Cruzeiro merce mais respeito. A culpa disso é de alguns canalhas, dentro e fora do campo"

Natal, ex-atacante do Cruzeiro

 
O treinador afirma que fez o possível para dar uma injeção de ânimo aos jogadores quando o barco estava afundando: “O sentimento de um profissional que está aqui e ama o clube é de dor. Não é só profissionalmente, mas pessoalmente, pois faço parte de uma instituição que tenho muito carinho. Queria pedir desculpas, tentei contribuir, fiz aquilo que seria o melhor. Mas não deu”.

Revelado pelo clube, o zagueiro Fabrício Bruno foi um dos poucos a falar depois do jogo. Ele se coloca à disposição para ajudar a Raposa a voltar à elite nacional: “Estou sofrendo. Sou torcedor e ver 30 a 40 mil pessoas sofrendo aqui é muito ruim. Agora é preciso ter sabedoria e cabeça no lugar (para administrar a situação). É uma dor muito grande. Muitos jogadores são de fora, mas eu sou daqui. O Cruzeiro eu carrego no meu coração, no meu corpo. Muitos vão sair e vão curtir as férias. Eu ficarei aqui. Eu caí com o Cruzeiro e vou subir com o Cruzeiro”.
 

"Pode sair todo mundo agora. Hora de um novo Cruzeiro! Esvaziem essas fileiras rançosas das velhas práticas nefastas do futebol! Gente nova, caras novas, jogadores comprometidos. Mudanças! Novo Cruzeiro, já!!!!! Viva o Cruzeiro, viva a revolução! Mudança já!"

Samuel Rosa, cantor, em post no Instagram

 
Outro prata da casa, o lateral-direito Weverton também garante que fará o possível para ajudar no retorno da equipe à elite: “Sou atleta do clube e estou aqui para ajudar. Infelizmente, caímos para a Série B, é a vida, mas vamos seguir em frente. O clima está pesado e precisamos nos mobilizar para voltar para a Série A. Eu, particularmente, senti muito”.

 

"Primeiro, são os jogadores, porque são eles que perdem e ganham os jogos. Então, não foram competentes. Em segundo lugar, a direção, o planejamento, as contratações. Fora aquele desvio, um dinheirão. Depois, o que foi o principal, a gestão do Mano Menezes no início do Brasileiro, poupando o time"

Nelinho, ex-lateral do Cruzeiro, em entrevista para a ESPN

 

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