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Estado de Minas

Calouro com sonhos ambiciosos

Coimbra, que em 2020 disputará pela primeira vez a elite do Estadual, conseguiu ascensão meteórica ao apostar em infraestrutura. Meta agora é buscar vaga em competição nacional


postado em 21/05/2019 04:11

Um dos trunfos do clube é o moderno CT em Contagem. Numa área de 120 mil metros quadrados, estão quatro campos de futebol, salas de musculação e fisioterapia e refeitórios(foto: Coimbra/Divulgação)
Um dos trunfos do clube é o moderno CT em Contagem. Numa área de 120 mil metros quadrados, estão quatro campos de futebol, salas de musculação e fisioterapia e refeitórios (foto: Coimbra/Divulgação)



O mais novo participante da elite do Campeonato Mineiro é um clube relativamente jovem, com projeto a longo prazo que envolve as categorias de base e estrutura física digna das maiores forças do futebol brasileiro. Campeão das últimas edições da Terceira Divisão e do Módulo II do Estadual, o Coimbra promete ser candidato a sensação no ano que vem e já vislumbra voos maiores, como uma vaga na Série D do Brasileiro e na Copa do Brasil.

Fundado em 1986, o Coimbra tinha sede em Rio Acima e Nova Lima, mas acabou desativado por questões financeiras. Em 2011, foi comprado pelo Banco BMG, que passou a investir em direitos econômicos de jovens atletas. Em 2016, começou a disputar competições com equipes da base e o time do profissional. O projeto ganhou impulso com a construção do moderno CT no Bairro Sapucaias, em Contagem, numa área de 120 mil metros quadrados. O local tem uma usina de energia própria fotovoltaica e conta com quatro campos, salas de musculação e fisioterapia, além de refeitórios.

“Com a mudança da lei de direitos econômicos, em que você só teria participação na negociação de um jogador se fosse proprietário de um clube, vimos a necessidade de adquirir o Coimbra, que estava inativo há vários anos. O clube é mais antigo que o próprio projeto, cuja principal função é ser uma equipe formadora, revelar bons jogadores para o mercado”, afirma o diretor de futebol Hissa Elias Moysés, que está à frente da iniciativa desde o início.

Apesar de contar com a ajuda da instituição financeira, o orçamento do Coimbra foi semelhante ao de outros clubes do estado, com folha salarial em torno de R$ 100 mil mensais. A previsão inicial da diretoria era de que a equipe chegaria à elite mineira somente em 2020 e, a partir de 2023, passaria a buscar vaga em competição nacional. Mas, com o sucesso em campo, o processo foi acelerado.

Para comandar a equipe, foi contratado, no ano passado, o gaúcho Diogo Giacomini, de 40 anos, que estava no Atlético. Do grupo de 25 jogadores que conquistou o Módulo II, somente seis têm mais de 23 anos: o goleiro Glaycon, os zagueiros Carciano, Breno César e Diogo, o volante Dudu Pitbull e o atacante e capitão Bruno Mineiro. Para não paralisar as atividades no segundo semestre, o mesmo time disputará a Terceira Divisão Estadual como Coimbra B, com o intuito de obter mais um acesso em Minas.

 

 

EXPERIÊNCIA A campanha do recente título invicto do Módulo II teve o atacante Bruno Mineiro, de 36 anos, como um dos destaques. O experiente jogador aceitou o convite do clube no ano passado para tornar mais fácil atingir outro objetivo: consolidar os estudos. “Fiz curso de gestão de futebol na Universidade de Futebol de São Paulo e agora estou me formando em gestão financeira na Estácio. Vou trabalhar com atletas no futuro, não quero sair do futebol. No Coimbra, consigo conciliar as duas coisas.”

Bruno Mineiro tem no currículo vários acessos ao longo da carreira. Ajudou o América a subir para a Série B do Brasileiro em 2009, quando se projetou nacionalmente até ser comprado pelo Atlético-PR. Depois, teve participação decisiva na ascensão do Santa Cruz à elite nacional em 2015. No Coimbra, participou ativamente dos dois títulos mineiros. “É muito gratificante fazer parte da história do Coimbra. Quero estar sempre contribuindo com gols e ajudando os mais novos a seguir esta carreira”.

O camisa 9 não é o mais jogador mais velho do clube. Esse posto pertence ao zagueiro Carciano, que completou 38 anos na segunda-feira da semana passada – tem quase a idade de Diogo Giacomini. Com dezenas de clubes na carreira e muita rodagem por Minas, o defensor se encantou tanto com a iniciativa do Coimbra que até adiou a aposentadoria. “Tinha pensado em encerrar a carreira depois de viver decepções no Democrata-SL, mas recebi proposta do Coimbra. A primeira, eu rejeitei. Depois, me chamaram para conhecer o clube. Conversando com jogadores, eu me convenci de que era outro nível. Quando cheguei, a autoestima foi lá em cima. Encontrei muitos amigos aqui, o que me deixou feliz”.


Mando de campo
A diretoria do Coimbra trabalha com três possibilidades para receber seus jogos na elite do estadual em 2020. Uma é mandar, em um dos campos do CT de Contagem (que seria modernizado), partidas em que a média de público for em torno de 1 mil torcedores. Há também a intenção de continuar na Arena do Jacaré, onde atuou durante o Módulo II, e ainda de fazer os jogos maiores no Independência. Pelo regulamento da Federação Mineira de Futebol, o Coimbra deve estrear no Estadual’2020 contra o Cruzeiro, no encontro dos campeões das duas primeiras divisões do Mineiro.


Tranquilidade para trabalhar

Um dos responsáveis pelo acesso rápido do Coimbra à elite estadual trabalhou no Atlético por nove anos e dirigiu a equipe em sua última grande campanha: na final da Copa do Brasil de 2016, contra o Grêmio, quando substituiu o demitido Marcelo Oliveira na segunda partida da decisão. Dispensado pelo Galo no início da gestão do presidente Sérgio Sette Câmara, o técnico Diogo Giacomini encontrou a estabilidade que almejava no time de Contagem. E espera seguir com o projeto até levar o clube a um patamar mais alto.

Apesar de ter sido demitido do Atlético no começo de 2017, Giacomini garante não ter ressentimento com o ex-clube. Acredita que foi com o trabalho no alvinegro que ele se projetou para hoje conduzir o projeto no Coimbra: “O Atlético não utilizou toda minha capacidade. Eu tinha mais a dar pelo clube, condições de realizar um trabalho expressivo em alguma função estratégia, mas ocorreram mudanças políticas. Só o tempo vai dizer o reflexo dessas mudanças. O BMG me procurou e me apresentou o projeto. Fui surpreendido com toda a estrutura”.

Giacomini diz ter encontrado no Coimbra tranquilidade para se dedicar à carreira, ficando longe dos trabalhos interrompidos na metade, como é corriqueiro nos grandes clubes. “Durante este um ano e cinco meses, tive propostas e sondagens de outros estados e outras séries do futebol brasileiro, mas optei por ficar porque o Coimbra mé dá estrutura física e estabilidade. Reclamamos muito quando os treinadores são demitidos a cada três meses. Quando o clube lhe dá oportunidade de fazer trabalho de médio a longo prazo, você também tem de valorizar e ficar”.

Além de dirigir o profissional, Giacomini tem a responsabilidade de estruturar a categoria de base do Coimbra. Os resultados têm sido imediatos. No ano passado, ele montou o primeiro time Sub-20, que chegou em quinto lugar no Campeonato Mineiro. Agora, os jogadores jovens aos poucos integram o time principal, com expectativa de atuar na Primeira Divisão no ano que vem.


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