
Depois de cinco dias de novela, o Cruzeiro chegou a acordo com o Flamengo e deu fim à passagem do uruguaio De Arrascaeta pela Toca da Raposa. Foram muitas reuniões, em BH e em Montevidéu; impasses por causa de valores e até lágrimas do jogador por mensagens hostis recebidas de torcedores celestes nas redes sociais.
O martelo foi batido ontem à noite, na capital uruguaia: o rubro-negro carioca pagará os 13 milhões de euros (cerca de R$ 55 milhões) pelos 50% dos direitos que a Raposa detinha em três parcelas: 7 milhões de euros (R$ 29,7 milhões) à vista, 3 milhões de euros (R$ 12,7 milhões) em junho e 3 milhões de euros em dezembro. Foi a saída que os clubes encontraram para selar o negócio, já que o Cruzeiro queria receber à vista enquanto o Flamengo pretendia quitar o montante até o meio do ano que vem.
A Raposa, representada pelo empresário André Cury, também queria que o rubro-negro assumisse duas dívidas que tem com clubes uruguaios: de cerca de R$ 5 milhões com o Defensor (referente à aquisição de De Arrascaeta) e de quase R$ 14 milhões com o Atenas (pela compra de Latorre). Mas nenhum débito entrou na transação – nem mesmo houve perdão pelos R$ 3 milhões que o Cruzeiro ainda deve ao Flamengo pela contratação de Mancuello.
O Defensor ficará com R$ 5 milhões de euros (R$ 21,25 milhões) pelos 20% que detinha do armador. Assim, a negociação totaliza 18 milhões de euros (R$ 76,5 milhões).
Inicialmente, De Arrascaeta não participaria das reuniões, porém, mudou de ideia e presenciou todas as conversas desde a noite de segunda-feira, demostrando interesse em se transferir, sobretudo pela proposta salarial apresentada pelo clube da Gávea, que seria três vezes maior que o que ele recebe hoje.
O uruguaio chegou à Toca da Raposa no início de 2015 e, de lá para cá, se valorizou muito. Em 188 jogos, fez 50 gols. Acrescentou a seu currículo dois títulos de Copa do Brasil (2017 e 2018) e um do Campeonato Mineiro (2018). Ele assinou contrato de cinco anos com o Flamengo.
Diante do impasse inicial, De Arrascaeta teria até ido às lágrimas, principalmente por causa de inúmeras mensagens hostis que vinha recebendo de cruzeirenses. No Twitter, a hashtag “#Meu10Veste30” chegou a figurar entre os principais assuntos no Brasil ontem, mostrando que a torcida celeste já apostava em Thiago Neves como o jogador que suprirá a ausência do uruguaio.
O próprio técnico Mano Menezes começou a pensar na montagem do Cruzeiro para 2019 diante do novo cenário. A intenção é manter a forma de atuar que vem dando certo, com a conquista do bicampeonato da Copa do Brasil e do Mineiro, o 4-2-3-1. Por isso, o clube deverá intensificar a busca por um armador para ser reserva de Thiago Neves – que renovou antecipadamente seu contrato.
Enquanto esse jogador não chega, o treinador vai maquinando com o que tem no momento. O mais óbvio é a entrada de Rafinha pela esquerda do meio-campo, mantendo Robinho na direita, TN30 centralizado e Fred na área. Outra opção é a entrada do atacante David, acostumado a jogar pelos lados. Ele ainda pode colocar um dos atacantes de área aberto pela esquerda, casos de Raniel ou Sassá.
NOVIDADES Se quiser mudar o esquema, pode optar pela entrada de um dos dois reforços contratados neste ano e que foram apresentados ontem: o volante Jadson, de 25 anos e que tem na marcação a principal característica.
Ele se destacou ano passado pelo Fluminense e daria mais liberdade para Henrique. “Sou um volante mais baixo que a maioria (1,71m), mas sou tático, que tem na resistência um ponto alto”, disse Jadson.
Já o colombiano Orejuela, de 23 anos, chega para disputar a lateral direita com Edílson – Ezequiel rescindiu o contrato e acertou com o Fluminense. Ainda tímido e sem falar português, o jogador promete logo se entender com os companheiros pelo futebol. “Eu me considero um jogador veloz, muito técnico, que gosta de ir ao ataque. E que é agressivo na marcação.”
