Falar sobre sexualidade, masturbação e experiências sexuais por si só já é um tabu. Quando essas questões somam-se à uma deficiência, o debate fica velado, tornando-se quase inexistente. A vivência da sexualidade não é fácil para a pessoa com deficiência (PCD), sendo permeada pelo capacitismo, pela superproteção familiar e pelo ciclo social diminuído, influenciando para que a experiência sexual demore a acontecer. 





Enquanto a vida sexual não começa, preparar o psicológico e a autoestima para quando o momento chegar é essencial. Porém, em alguns contextos, não há espaço para compartilhar os medos sobre o tema, as inquietudes e até tirar dúvidas. É com essa falta que Dayana Beatriz, Damião Marcos e Patrícia Lorete, todos PCDs, lançaram os e-books: “Sexualidade e Deficiência: esse é o assunto!” e “Sexualidade e Deficiência: o assunto continua”, com linguagem acessível sobre sexualidade na vida das pessoas com deficiência. 



Por ignorância ou preconceito, imagina-se que essas pessoas não tenham desejos e não possam ter relações sexuais. Engana-se também quem coloca pessoas com deficiência em um mesmo grupo, sendo que há deficiências sensoriais, físicas e intelectuais - cada uma com suas especificidades. Com isso, Patrícia Lorete ressalta a importância de um material sobre a sexualidade de pessoas com deficiência escrito por pessoas com deficiência. “O e-book traz uma perspectiva única e autêntica, abordando questões e experiências que muitas vezes são negligenciadas ou mal compreendidas pela sociedade. É uma forma poderosa de dar voz a uma comunidade que muitas vezes é marginalizada, e de ajudar a promover a aceitação e a inclusão”, comenta a coautora. 

A presença das mídias sociais, ainda que muito útil, para acesso à informação e conhecimento, traz também, a problemática acerca da padronização dos corpos e estilos. Embora a representatividade das PCDs esteja aumentando, são poucas as empresas que fazem um comercial de lingerie com pessoas com deficiência ou de produtos sexuais para esse público. E em se tratando de intimidade e sexualidade, em um aglomerado de informações, a inclusão sexual e a identificação ficam em falta em um ambiente tão amplo. O meio digital, contudo, não deve ser visto como vilão, já que pode ser utilizado para socialização e descontração, como é abordado no primeiro e-book no artigo sobre sexo virtual. 




ARTIGOS

Os livros têm cerca de 10 artigos que tratam de assuntos como sexualidade reprimida; homossexualidade e deficiência; sites e aplicativos de relacionamento; deficiência e masturbação, entre outros temas focados no crescimento pessoal e social, e na promoção da autoaceitação. 

Leia também: Acessibilidade inacessível: saiba por que PCDs ainda lutam por espaço

Um dos padrões a serem desconstruídos no mundo das pessoas com deficiência está ligado ao tema deficiência e sexualidade. O projeto da editora Território Deficiente traz consigo uma escrita leve, simples e com uma linguagem acessível e intimista. A abordagem  não se restringe apenas a quem tem deficiência, sendo capaz de levar para familiares, profissionais e simpatizantes do tema assuntos relevantes, polêmicos e pouco abordados na sociedade.

* Estagiária sob supervisão da editora Ellen Cristie.

(foto: Território Deficiente/Reprodução )
“Sexualidade e deficiência: esse é o assunto!” e “Sexualidade e deficiência 2: o assunto continua” 
• Autores: Dayana Beatriz, Damião Marcos e Patrícia Lorete
• Editora: Território Deficiente
• Número de páginas: 47 páginas; 51 páginas 
• Preço: R$ 18,90 (e-book)
• Onde encontrar: Hotmart e @janeladapatty no Instagram 

compartilhe