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Ih! Fiz xixi na cama! E agora?


16/06/2019 04:05
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“Mãe, fiz xixi na cama, de novo.” A frase pode parecer ser resultado de uma noite com alta ingestão de líquidos por uma criança. Porém, a enurese noturna, o famoso xixi na cama, acomete até 15% de crianças com até 5 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), e é uma condição que merece atenção. Crianças nessa situação são constantemente vítimas de castigos, xingamentos e punições pelos próprios pais, e podem evoluir para dificuldades na socialização, aumento da timidez e depressão.

De acordo com Atila Rondon, urologista pediátrico, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador do Departamento de Urologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o xixi na cama pode ocorrer devido a fatores genéticos relacionados à quantidade de urina produzida pela criança durante a noite, ou à disfunção da bexiga durante o sono. “Ocorre de forma involuntária, sem qualquer culpa por parte da criança”, explica.

A liberação de urina afeta a vida psicológica e social dos pequenos. “Os pais, por não entender bem o problema e estar estressados, muitas vezes são intolerantes e, por fim, acabam punindo a criança, o que só atrapalha o seu desenvolvimento”, comenta o urologista. “Muitas apresentam alteração emocional e/ou comportamental, como tristeza, alteração do humor, vergonha, baixa autoestima, sensação de culpa, insegurança, isolamento social e baixo rendimento escolar, entre outros.”

Além disso, de acordo com Anastácia Christina, psicóloga da Clínica do Bem, os pais ou os responsáveis que interagem com a criança devem ter sempre em mente que ninguém faz xixi na cama porque quer. “Portanto, críticas e castigos só agravam a situação”, pondera.

Embora seja recorrente na infância, a persistência do xixi na cama gera impactos que não podem ser ignorados. A psicóloga acredita que essas crianças precisam de estímulo, reconhecimento e reforço positivo quando a roupa de cama amanhece seca. Segundo ela, a criança acaba se privando do convívio de frequentar e dormir na casa dos amigos e de parentes com medo e vergonha de fazer xixi na cama.

CAUSAS E COMBATE

 A enurese pode estar ligada a fatores emocionais, genéticos ou fisiológicos. De acordo com Átila Rondon, se o pai ou a mãe fizeram xixi na cama na infância, o filho tem 44% de chances de apresentar a enurese. Se os dois sofreram com o transtorno, esse índice sobe para 77%. Além da genética, outros fatores podem predispor o transtorno, como a deficiência de secreção de vasopressina noturna (substância que diminui a produção de urina durante a noite), bexiga pequena para a idade ou hiperativa, problemas no trato urinário e dificuldade de acordar à noite em resposta à bexiga cheia.

Uma psicoterapia para a criança e para a família pode ajudar, já que, além de recuperar a autoestima dos pequenos,  pode trabalhar com orientação dos pais sobre como lidar com a situação. Uma boa alternativa é utilizar tabelas ou calendário e fazer tratos com a criança, por exemplo, se ela conseguir controlar o fluxo. “Durante o processo, cada noite seca precisa ser encarada como uma vitória, valorizada com elogios e muito carinho. É muito importante o reforço positivo.”

UM ALIADO NA INTERNET

Desde 2012, com o objetivo de conscientizar sobre as causas, sintomas e tratamentos da enurese, o site semxixinacama.com vem ajudando pais a entender melhor essa condição. Por meio de informações relevantes, materiais de apoio e vídeos de especialistas, o site auxilia os pais na identificação do xixi na cama enquanto distúrbio que merece atenção e acompanhamento médico após os 5 anos; assim como na busca por tratamento especializado, com a listagem de centros de apoio pelo Brasil. Os textos publicados no blog  procuram apoiar os pais durante o tratamento, alertando sobre os impactos na vida da criança.




. DICAS PARA UMA
NOITE TRANQUILA

»  Ajustar o consumo adequado de líquidos em horários determinados
»  Evitar a ingestão de líquidos no mínimo 2 horas antes de a
    criança ir dormir
»  Criar o hábito de urinar antes de deitar e logo ao acordar
»  Alimentação balanceada, rica em fibras, e exercícios físicos também contribuem para uma noite seca
»  Em último caso, medidas terapêuticas, como uso de medicações, também podem
ser consideradas

 

 


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