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Estado de Minas PREFEITURA

Quem é Fuad Noman, o novo prefeito de BH

De perfil técnico e discreto, próximo chefe do Executivo de BH é especialista em gestão pública e atleticano, como seu antecessor. Posse será na próxima terça


26/03/2022 04:00 - atualizado 25/03/2022 23:00

Fuad Noman
Servidor de carreira e autor de dois livros, Fuad é especialista em programação econômica e orçamento (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 2/12/21)


Quando Fuad Jorge Noman Filho, ou simplesmente Fuad Noman, presidente municipal do PSD, deixou, em junho de 2020, o cargo de secretário da Fazenda da Prefeitura de Belo Horizonte para cuidar da reeleição do então prefeito Alexandre Kalil (PSD), ele não apenas sabia que seria o vice da chapa, como tampouco Kalil fizera segredo de seu projeto político: concorrer ao governo de Minas nas eleições de 2022.

Eram fatos públicos. Nascido em Belo Horizonte, aos 74 anos, – ele faz aniversário em 30 de junho –, o economista Fuad Noman mantinha-se discretíssimo. Diferentemente dos novos cristãos, que em 2016, diante da primeira eleição do outsider ao governo da capital mineira, se apressaram em anunciar para si aquele sucesso eleitoral, Fuad quietava na muda, evitando disputar o protagonismo com a personagem principal.

Sempre que indagado sobre a grande probabilidade de assumir a PBH, com a necessária desincompatibilização de Kalil para concorrer ao Palácio Tiradentes, o vice desencorajava a expectativa de poder que assume oficialmente na próxima terça-feira, em cerimônia na Câmara Municipal de Belo Horizonte. À discrição, entre outras características que o levaram a ser considerado por Alexandre Kalil o seu “baluarte” nos primeiros anos do primeiro mandato, Fuad alia o perfil técnico às habilidades políticas, desenvolvidas em 50 anos de vida pública nos bastidores do poder.

Bacharel em ciências econômicas pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília (Ceub), pós-graduado em programação econômica e execução orçamentária, Fuad ingressou no serviço público como funcionário de carreira do Banco Central do Brasil. Trabalhou no Tesouro Nacional, foi secretário-executivo da Casa Civil da Presidência da República durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi diretor do Banco do Brasil e presidente da BrasilPrev, e consultor do Fundo Monetário Internacional para o governo de Cabo Verde.

Então filiado ao PSDB, em Minas, foi secretário de estado da Fazenda (2003-2007), no primeiro mandato de Aécio Neves; depois foi secretário de Transportes e Obras Públicas (2007-2010) durante o governo de Antonio Anastasia. Ser prefeito de Belo Horizonte é, de longe, o mais importante cargo que Fuad ocupa – tanto da perspectiva da visibilidade quanto do peso político –, sem que jamais tenha encabeçado uma disputa eleitoral.

Reforma

Com o novo prefeito, é esperada uma reforma administrativa já que, além de Alexandre Kalil, deixarão a prefeitura o secretário de Saúde, Jackson Machado, a secretária de Políticas Urbanas, Maria Caldas, a de Assuntos Institucionais e Comunicação, Adriana Branco, e o procurador-geral Castelar Guimarães. Também Paulo Lamac (Rede), que foi vice de Kalil no primeiro mandato, deixará o cargo de assessor na Secretaria do Meio Ambiente, para concorrer à Câmara dos Deputados. O atual secretário de Obras, Josué Valadão, – que por oito anos foi secretário do ex-prefeito Marcio Lacerda – vai para a Secretaria de Governo com o desafio de pacificar a relação com a Câmara Municipal.

O próprio Fuad Noman tem experiência nesse relacionamento pragmático entre Executivo e Legislativo. Quando assumiu a presidência municipal do PSD, Fuad chamou para si as tratativas em torno da reeleição de Kalil, inclusive a formação da chapa de candidatos a vereador da legenda.

O PSD, que em 2016 conquistou apenas duas cadeiras, foi inflado ao longo do primeiro mandato de Kalil, alcançando bancada de 13 vereadores. A legenda conquistou seis cadeiras, é a maior bancada legislativa, mas insuficiente para garantir maioria ao Executivo, bombardeado pela ação política do deputado federal Marcelo Aro (PP), provável vice na chapa de Romeu Zema.

Literatura

O septuagenário Fuad Noman, casado com Monica Drummond, pai de dois filhos, é dado a recomeços: há cinco anos, desengavetou a ambição literária e lançou “O amargo e o doce” (Editora Quixote), ao qual se seguiu “Cobiça” (Editora Ramalhete), dois anos depois. Ambos construídos pelo olhar para a “política como ela é” – sobretudo naqueles grotões apelidados de “burgos podres” por Tancredo Neves –, em que até o final do século 20 ainda imprimiam à lógica eleitoral  elementos fundantes do coronelismo.

De tanto rodar pelo interior mineiro para acompanhar campanhas majoritárias, Fuad acumulou histórias para reconstruir em seus romances o contexto político e cultural em que transitam as personagens ficcionais. No campo dos costumes, os dois livros de Fuad abordam temas abominados nas alcovas mentais do pensamento conservador:  a violência praticada contra a mulher pelo patriarcado mineiro e a orientação sexual de homens e mulheres numa sociedade em que a tradicional família mineira encobria o homossexualismo sob o manto sagrado de arranjos forçados em casamentos heterossexuais.

Fidelidade

Fuad Noman não foi para Kalil o tradicional vice, cujo relacionamento evolui ao longo do mandato para o desconforto ou o confronto aberto, como Newton Cardoso foi para Itamar Franco; Roberto Carvalho para Marcio Lacerda; Michel Temer para Dilma Rousseff. Se deixou o mandato, como previra, para concorrer ao governo de Minas, é porque Kalil vê em Fuad muito mais do que um aliado que também torce para o Clube Atlético Mineiro, também de ascendência síria– a família dele é originária da cidade de Homs. Kalil conta com Fuad para consolidar um projeto político.


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