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Estado de Minas PRESIDENCIÁVEL

Felipe d'Ávila quer Novo com ideias 'ousadas' em 2022: 'Democracia em jogo'

Presidenciável vem a Minas Gerais para 'afinar' discurso com correligionários mineiros e terá papo com Zema


06/12/2021 04:00 - atualizado 06/12/2021 07:28

Felipe
Felipe D'Ávila, cientista político e pré-candidato do Novo à Presidência da República (foto: Fábio Barros/Partido Novo)


O cientista político Felipe d’Ávila, pré-candidato do Novo à Presidência da República, garante que o partido prepara “propostas ousadas” para apresentar ao país. Nesta semana, ele vem a Minas Gerais cumprir uma série de agendas — na lista, há encontro com o governador Romeu Zema, colega de sigla. A ideia, segundo d’Ávila, é colher sugestões dos mineiros para dar forma ao pacote que a legenda quer defender em 2022. “Está em jogo a democracia e, por isso, precisamos de propostas muito ousadas, para não deixar o país continuar nas garras do populismo de esquerda e de direita, que nos levaram a uma situação trágica”, diz ele, ao Estado de Minas, pregando abertura econômica e privatização de empresas.
O desembarque dele no estado ocorre pouco tempo após Zema se encontrar com Sergio Moro (Podemos), outro presidenciável que tenta se opor a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Apesar disso, mantém a crença em apoio do governador à eventual candidatura do Novo. Ele pleiteia o que chama de “mudança radical” em prol de reformas estruturais. “Há candidatos que falam ‘sou liberal, mas vou manter a Zona Franca de Manaus’, como o João Doria (PSDB), ou ‘sou liberal, mas não vou mexer na Petrobras’. Desculpa, mas não é o que o Brasil precisa”, afirma. Aos 58 anos, d’Ávila é fundador do Centro de Liderança Pública (CLP). Ele estudou nos Estados Unidos e na Europa. Atuou, ainda, como editorialista e comentarista político.

O que o senhor pretende conversar com Romeu Zema e a direção do Novo em Minas Gerais?
É um pouco da nossa estratégia para a campanha presidencial, de ouvir o brasileiro. Criamos um movimento, que lançaremos em breve, para escutar as pessoas. É muito importante, neste momento de descrença em relação à política e de desesperança, se reconectar às pessoas. A melhor forma de se reconectar é ouvi-las. Vai ser uma estratégia bem diferenciada do Novo em relação aos demais partidos. Geralmente, o político tradicional chega a um lugar e começa a falar o que tem que fazer. Nossa ideia é chegar e conversar, entender um pouco dos valores, das aspirações e dos medos das pessoas, para que isso dê bons subsídios para moldar propostas e, evidentemente, a narrativa. A segunda parte é a discussão de propostas. O Novo vai colocar propostas bem ousadas, pois a situação do Brasil é muito grave. Essa eleição não é só de alternância de poder entre partidos. Está em jogo a democracia e, por isso, precisamos de propostas muito ousadas, para não deixar o país continuar nas garras do populismo de esquerda e de direita, que nos levaram a uma situação trágica, de 10 anos de recessão, mais de 15 milhões de desempregados, mais de 20 milhões de volta à miséria e queda recorde de investimentos. Isso mostra desconfiança em relação ao país e insegurança política e econômica. Vamos ter de apresentar uma agenda bem robusta, de abertura econômica, privatização de todas as estatais, inserção na economia global e aumento de competitividade para gerar renda e emprego, objetivo final. O problema número um é como fazer a economia voltar a crescer para gerar renda e emprego. A ideia é ir criando um discurso uníssono entre nós (do Novo) para podermos reagir quando perguntados sobre o nosso plano.

O senhor falou em combater o ‘populismo de direita e esquerda’. Outros candidatos que tentam se opor a Lula e Bolsonaro adotam discurso parecido. Nesse ponto, o que o discurso do senhor tem de diferente em relação ao tom das outras terceiras vias?
O Brasil vem sendo desigual, injusto, com a democracia não funcionando plenamente e esgarçando a credibilidade das instituições, primeiro, por esse populismo de direita e esquerda. Segundo, pelo que chamo de ‘PCC’: patrimonialismo, corporativismo e clientelismo. Essas três letras ditam a política no Brasil, em geral. Governantes, funcionários públicos e deputados que conseguem romper com o PCC que produzem políticas inovadoras. O patrimonialismo é a corrupção, instalada porque as instituições não funcionam. Assim, criam-se artérias paralelas, fomentadas pela corrupção, para tentar fazer as coisas agilizarem no governo. A corrupção é indutora da pobreza, porque faz com que as instituições não funcionem e cria feudos de privilégio. O corporativismo é o inimigo número 1 das reformas estruturantes, da abertura econômica, da criação da igualdade de oportunidades e da mobilidade social, pois defende a existência dos feudos. A vida inteira, temos oligarcas ditando as regras dos privilégios. O clientelismo tem como exemplo mais concreto a PEC dos Precatórios e as emendas de relator; é usar dinheiro público para beneficiar currais eleitorais em troca de votos. As três coisas vêm destruindo o Brasil, a democracia, a economia e a malha social. Precisamos de uma candidatura que trate com ousadia esses desafios e tenha disposição de lutar para se implementar reformas estruturais. Há candidatos que falam ‘sou liberal, mas vou manter a Zona Franca de Manaus’, como o João Doria, ou ‘sou liberal, mas não vou mexer na Petrobras’. Desculpa, mas não é o que o Brasil precisa. O Brasil precisa de uma mudança radical para quebrar práticas arraigadas e progredir. Sou um candidato disposto a enfrentar esses desafios.

Então o senhor considera que as outras terceiras vias não têm a disposição para enfrentar o que chama de mudança radical?
Não seria tão peremptório. Precisamos ver as propostas, mas estou dizendo pelo discurso. Precisamos julgar as propostas, e não as falas. O brasileiro está cansado de gente que fala; quer saber de gente que faz. As propostas ainda não foram apresentadas, mas estou dizendo pelas frases soltas, que lemos na imprensa. Não dá para ter liberalismo ou abertura econômica ‘meia-boca’. Não dá para ter atitude ‘meia-boca’ em relação às estatais, ‘vendo essa, mas não vendo aquela’. Precisamos ter um posicionamento claro sobre essas questões, vitais para fazer a economia voltar a crescer, gerar renda e emprego.


O senhor disse, em outras ocasiões, que a terceira via só teria chances se houvesse unificação. Já há conversas nesse sentido?
Estamos conversando, mas ainda não há conversa efetiva sobre união da terceira via. Primeiro, temos que discutir propostas. A união tem que ser sobre propostas. Se outros candidatos da terceira via apresentarem propostas muito amenas, não vamos conseguir unir. Entre uma proposta amena e as que estão na mesa, vai ser difícil unir. Ao ter propostas mais ousadas, algumas pessoas da terceira via não vão querer apoiar o plano. Vai ter um ajuste fino, à frente, na negociação política, mas tem que ser em torno de propostas. Em 2018, o eleitor foi induzido ao erro ao acreditar em propostas ousadas de Paulo Guedes, mas que o presidente não tinha comprado. E não saem do papel.  Não adianta falar que o presidente tem “Postos Ipiranga”. Isso não cola. O eleitor quer saber o que o presidente acha, sua coragem e determinação para implantar medidas.

Sergio Moro veio a Belo Horizonte e falou com o governador Romeu Zema. Interlocutores saíram do encontro otimistas por enxergarem semelhanças entre ambos. O senhor teme um cenário em que Zema apoia Moro em detrimento da candidatura do Novo?
Não temo. Inclusive, conversei com o governador Zema, que sempre reiterou seu espírito partidário, que vai apoiar minha candidatura. Eu mesmo converso muito com o Moro, uma das pessoas da terceira via com quem falo. Não é porque a gente conversa que isso vai virar apoio político. Precisamos entender as propostas. Nesse sentido, Zema está absolutamente alinhado comigo. Não dá para criar aliança política em torno de pessoas e aspirações. Os projetos têm que ser criados em torno de propostas concretas, e (sobre) como vamos executá-las. A situação do Brasil é gravíssima. Não podemos errar a mão desta vez. Se errarmos, vamos colocar em risco a própria democracia.
 
O senhor falou em apresentar um plano para que os brasileiros detalhem seus anseios. Como isso será feito? O encontro com Zema é o primeiro passo, então, para ouvir os mineiros?
Para resolver problemas estruturantes, precisamos dar mais poder a estados e municípios. No fundo, cada decisão é muito customizada pelo contexto local. Precisamos entender as dores locais. O governo federal tem de dar os grandes marcos regulatórios, as regras do jogo, e criar a estabilidade da segurança jurídica, mas precisa dar liberdade para testar políticas públicas na ponta. A educação profissionalizante é fundamental: 48% dos jovens abandonam o ensino médio antes da conclusão. O jeito de reter os jovens é oferecer ensino profissionalizante de qualidade, saindo preparado para obter emprego em um ramo demandado pelo mercado. Zema faz um programa de ensino técnico nas escolas muito melhor que em outros estados. Parte de um princípio básico de que o curso precisa ser de qualidade. Então, determina o preço, o padrão do curso e a iniciativa privada tem as concessões e faz os cursos. Muitos estados estão oferecendo profissionalização de um jeito muito ruim: é fazer quase que um leilão e quem dá o menor preço (leva). Você compromete a qualidade. Precisamos escutar as pessoas, porque se não a política pública fica descolada da realidade e da demanda. É escutar os mineiros com Zema, os deputados e vereadores.

Ao lançar a pré-candidatura, o senhor falou em privatizar a Petrobras no primeiro dia de governo. Quais as bases de sua agenda privatista?
Temos de enviar um plano ao Congresso exigindo a privatização de todas as empresas, mas mais importante é o que vai ser feito com o dinheiro. O Brasil tem uma das matrizes renováveis mais importante do mundo. Você prefere ter uma estatal que produz energia fóssil ou pretende investir mais em renováveis, que atraem mais dinheiro? Temos que explicar às pessoas. É bom manter a Petrobras como está hoje ou usar o dinheiro para coisas como pesquisa e desenvolvimento em energias renováveis ou programas sociais? Vamos usar parte do dinheiro para abater parte da dívida pública? Quantos bilhões vão para o ralo anualmente pagando os juros sobre a dívida? O estouro do teto de gastos fez com que a taxa de juros subisse e os títulos de tesouro brasileiro tivessem que oferecer mais juros para o mercado comprar. Com estouro do teto e um governo que não tem credibilidade, a rolagem da dívida saltou para R$ 360 bilhões, quase seis vezes o valor do Bolsa Família. Em vez de financiar programas sociais, está pagando juros lá fora por causa da irresponsabilidade da política econômica.


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