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Estado de Minas COVID-19

Defensora de cloroquina Nise Yamaguchi depõe hoje na CPI

Imunologista tem 62 anos e chegou a ser cotada para o cargo de ministra da Saúde após a demissão de Luiz Henrique Mandetta, em abril do ano passado


01/06/2021 04:00 - atualizado 01/06/2021 08:59

A oncologista Nise Yamaguchi chegou a ser cotada para o Ministério da Saúde(foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados - 27/5/19)
A oncologista Nise Yamaguchi chegou a ser cotada para o Ministério da Saúde (foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados - 27/5/19)


Brasília – A oncologista e imunologista Nise Yamaguchi vai prestar depoimento hoje à CPI da COVID instalada no Senado. Ela é defensora do uso da hidroxicloroquina, o chamado tratamento precoce, contra o novo coronavírus. Funcionária do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Nise tem 62 anos e chegou a ser cotada para o cargo de ministra da Saúde após a demissão de Luiz Henrique Mandetta, em abril do ano passado, e, com mais destaque, no mês seguinte, quando Nelson Teich deixou o comando da pasta, 29 dias após  tomar posse.

No dia em que Teich anunciou sua demissão, Nise almoçou com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o que levantou especulações que ela seria a próxima a ocupar a chefia da Saúde. Na ocasião, Nise chegou a dar entrevistas se dizendo preparada para coordenar o enfrentamento da pandemia. Mas o convite não foi feito e o general Eduardo Pazuello acabou assumindo o ministério.

Quando Luiz Mandetta era ministro, Bolsonaro convidou Nise para integrar o comitê de crise no combate à COVID-19. Em várias entrevistas, Nise menciona suposta proximidade com Bolsonaro e fala de conversas com outras autoridades do governo, como o ex-chanceler Ernesto Araújo, Eduardo Pazuello e a secretária de gestão do trabalho e educação no Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Os três já depuseram à CPI e Pazuello deve voltar.

Em seu depoimento à CPI, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, afirmou que participou de uma reunião com integrantes do governo, na qual Nise estava presente. Foi quando surgiu a ideia de alterar por medida provisória a bula da cloroquina, para no texto o tratamento contra a COVID, o que teria levado até uma reação “mais brusca” do chefe da Anvisa, como ele relatou. “Olha, não tem cabimento, não pode”, disse Barra Torres.

Tão logo a pandemia  ganhou força no Brasil, em março de 2020, Nise Yamaguchi se destacou na defesa do tratamento precoce da doença, valendo-se principalmente da hidroxicloroquina e da cloroquina, drogas com as quais tinha familiaridade em sua carreira médica. Em congressos médicos e entrevistas, a médica insiste na defesa de que a cloroquina atua de maneira eficaz para impedir a multiplicação do novo coronavírus nas células humanas, apesar da negativa da comunidade científica internacional.

A defesa do tratamento precoce contra a COVID ganhou o reforço do próprio governo, com declarações públicas de Bolsonaro na promoção da hidroxicloroquina. No dia 2 de julho de 2020, a TV Brasil exibiu entrevista com duração de mais de uma hora com Nise Yamaguchi, voltada à promoção do tratamento precoce. A entrevista, no entanto, acabou rendendo à médica pelo Hospital Albert Einstein. Na ocasião, ela comparou o temor da população brasileira em relação à COVID ao medo que os judeus sob o ditador  Adolf Hitler sentiam dos militares nazistas na Alemanha da primeira metade do século 20.

RELATORA

Ontem, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber foi escolhida relatora da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que pretende suspender a convocação de governadores para depor na CPI. A ação foi protocolada na última sexta-feira e assinada por 17 governadores. Na última quarta-feira, os senadores convocaram nove governadores para prestar depoimento. No caso de convocação, diferentemente de convite, a pessoa tem que comparecer. Na ação, os gestores afirmam que convocar governadores para uma CPI no Congresso configura um ato abusivo do poder público por violação aos preceitos fundamentais do pacto federativo e do princípio da separação dos poderes.

Assinam a ADPF oito dos nove governadores convocados: Wilson Lima (PSC-AM), Waldez Góes (PDT-AP), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Hélder Barbalho (MDB-PA), Wellington Dias (PT-PI), Marcos Rocha (PSL-RO), Carlos Moisés (PSL-SC) e Mauro Carlesse (PSL-TO). O único que não assinou foi Antonio Denarium, de Roraima (sem partido

Governantes que não foram chamados pelos senadores deram respaldo ao pedido, entre eles Renan Filho (MDB-AL), Rui Costa (PT-BA), Renato Casagrande (PSB-ES), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Flávio Dino (PCdoB-MA), Paulo Câmara (PSB-PE), Cláudio Castro (PL-RJ), Eduardo Leite (PSDB-RS), João Doria (PSDB-SP) e Belivaldo Chagas (PSD-SE).


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