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Estado de Minas ENTREVISTA

Vereador Wesley Autoescola diz que atuará por motorista de aplicativos

Parlamenar reeleito em BH também defende a aprovação do projeto Escola sem Partido


28/11/2020 04:00 - atualizado 28/11/2020 07:09

"Tenho certeza de que, em 2022, muitos vereadores vão querer estar próximos de Bolsonaro" (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


Evangélico, defensor da família tradicional e apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Wesley Moreira de Pinho, o Wesley Autoescola (Pros), foi um dos 17 reeleitos à Câmara Municipal de Belo Horizonte. Os 4.958 votos recebidos credenciaram o parlamentar, de 43 anos, a iniciar, em 2021, o segundo mandato. O ex-comandante da Frente Cristã do Legislativo municipal garante se guiar pelas escrituras consideradas sagradas por sua religião. “Quero ter a Bíblia como minha regra de fé e prática”, sustenta em entrevista, ao Estado de Minas.

Instrutor de trânsito há duas décadas, Wesley almeja ser a “voz” de motoristas de aplicativo, mas sabe que os vereadores não têm competência legal para prometer a resolução de todos os problemas que afligem a classe. Ferrenho defensor do Escola sem Partido, projeto que quer proibir professores da rede municipais de emitir opiniões políticas em sala de aula, ele confia no aval à proposta em segundo turno. “O que pode acontecer é a esquerda travar a pauta ou bloquear a votação. Mas a gente consegue articular de maneira tranquila para ser aprovado”, afirma. Questionado sobre alegações dos que chamam o texto de inconstitucional, recorreu ao respaldo dado pela Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) da Câmara.

Wesley Autoescola ganhou holofotes em julho, quando os vereadores rejeitaram a moção de aplausos a Bolsonaro por suposta “atuação exemplar e valorosa” ante a pandemia do novo coronavírus. Um dos autores do texto, ele assegura que a derrubada do requerimento não afetou a relação com os colegas. “Houve muito mais a preocupação de alguns vereadores pela proximidade do pleito”, sugere, dando a entender que parte dos parlamentares, ao rejeitar a ideia, se posicionou assim em virtude da eleição que se avizinhava.

Qual a principal bandeira de seu segundo mandato?
Sou evangélico desde o berço e filho de pastor. A bandeira que carrego é das ideologias conservadoras. Quero ter a Bíblia como minha regra de fé e prática. É algo de que a gente não consegue abrir mão. Hoje, a política está muito dividida entre extremos: esquerda e direita, conservadores e liberais. Tenho princípios conservadores, como a (defesa da) família. Presidi a Frente Parlamentar Cristã e, provavelmente, reassumirei em dezembro. Me envolvo com questões de mobilidade urbana, do transporte coletivo e dos aplicativos. Defendo, principalmente, esses motoristas. Hoje, há aproximadamente 20 mil motoristas de aplicativo (em BH). Fui muito procurado por eles durante a campanha. Fizemos algumas parcerias, principalmente pela situação precária em que estão. Uber e 99 diminuíram, e muito, o repasse a eles, que precisam de uma voz.

O  que pode fazer para ajudar motoristas vinculados a empresas globais, como a Uber?
O cargo de vereador limita muito minha atuação. Não posso legislar obrigando uma empresa a aumentar repasses, pagar mais ou valorizar seus funcionários. Isso não cabe a vereadores, ao prefeito ou a presidente. Mas a Câmara Municipal é a casa do povo. Podemos chamar audiências públicas para debater essa situação, convidando — ou convocando — representantes das empresas. Eles vão ter que falar e ouvir. A casa do povo serve para repercutir e mostrar as dores que motoristas têm enfrentado, principalmente com as promoções que têm colocado nas plataformas. Um motorista que, há seis anos, ganhava entre R$ 30 e R$ 40 em determinada corrida, hoje está ganhando R$ 27, mesmo tendo o custo acrescido. Tenho a consciência que não posso legislar nesse sentido, mas a Câmara ecoa a voz do povo.

Como integrante da bancada cristã, confia que, mesmo ante a renovação da Casa, o Escola sem Partido passa em 2º turno?
Não temos muitas dificuldades para aprová-lo. A esquerda diminuiu. Tínhamos cinco vereadores de extrema esquerda — dois do Psol, dois do PT e um do PCdoB. Agora, teremos dois do PT e dois do Psol. Os vereadores do Novo são alinhados ao Escola sem Partido, a não ser que os eleitos agora pensem de maneira diferente. A aprovação do projeto em segundo turno é muito tranquila. É maioria simples (para aprovação). A Proposta de Emenda à Lei Orgânica (Pelo) sobre ideologia de gênero, que queremos colocar, pode enfrentar mais dificuldades, pois são 28 votos (para aprovação). Quanto ao Escola sem Partido, o que pode acontecer é a esquerda travar a pauta ou bloquear a votação. Mas a gente consegue articular de maneira tranquila para ser aprovado. E, com certeza, vamos mudá-lo bastante antes da votação.

Como o senhor responde aos que questionam a constitucionalidade do projeto?
Infelizmente, em várias situações, o parecer de inconstitucionalidade é muito mais político do que jurídico. O projeto tem o parecer de constitucionalidade da Comissão de Legislação e Justiça (CLJ), pelo vereador Irlan Melo (PSD), que é um advogado muito respeitado na cidade. Ele fez toda base de constitucionalidade. Então, é uma discussão muito tranquila nesse quesito.

O senhor foi um dos que apresentou a moção de aplausos a Bolsonaro pela atuação na pandemia. Como foi a relação com os vereadores contrários à moção?
Temos um presidente cujo índice de popularidade só sobe. No momento da rejeição da moção, houve muito mais a preocupação de alguns vereadores pela proximidade do pleito. O único vereador para o qual Bolsonaro pediu votos diretamente (Nikolas Ferreira, PRTB) foi o segundo colocado, com quase 30 mil votos. Tenho certeza de que, em 2022, muitos vereadores que se candidataram vão querer estar próximos de Bolsonaro.


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