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Estado de Minas GOVERNO

Conselho sem governadores

Bolsonaro reafirma que colegiado da Amazônia, que foi transferido para Vice-Presidência, não terá a participação dos chefes de Executivo da região, mas que eles serão consultados


postado em 14/02/2020 04:00

Jair Bolsonaro deu entrevista na saída do Palácio da Alvorada (foto: ANTÔNIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL)
Jair Bolsonaro deu entrevista na saída do Palácio da Alvorada (foto: ANTÔNIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL)
Brasília - O presidente Jair Bolsonaro disse ontem que não vai incluir secretários e governadores no Conselho da Amazônia, reativado esta semana e que será coordenado pelo vice-presidente, Hamilton Mourão. “Tem bastantes ministros. Não vamos tomar decisão sobre Amazônia sem conversar com o governador, com a bancada do estado. Mas se colocar muita gente, é passagem aérea, hospedagem, uma despesa enorme e que não resolve nada”, disse.

Ao deixar o Palácio da Alvorada, Bolsonaro reforçou que Mourão, que é general do Exército, já serviu na região e que vai usar a estrutura da Vice-Presidência, por isso o conselho não precisará de orçamento próprio. O objetivo é integrar ações federais na região amazônica, incluindo articulação com estados, municípios e sociedade civil.

O colegiado reúne, além da Vice-Presidência, 14 ministérios. Criado originalmente em 1995, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, o conselho era subordinado ao Ministério do Meio Ambiente e tinha, entre os seus integrantes, os governadores dos estados da região. O presidente estava acompanhado do deputado federal Átila Lins (PP-AM), que propõe a criação de um ministério extraordinário para a Amazônia, para integrar e executar as ações deliberadas pelo conselho. Bolsonaro disse que vai estudar as propostas, mas que isso envolveria o impacto negativo de mais um ministério.

Bolsonaro chamou a organização não governamental Greenpeace de “porcaria” e “lixo” ao ser questionado sobre planejamento para o Conselho da Amazônia. Ao ser questionado sobre metas e o orçamento do projeto por um repórter, que trouxe o ponto levantado pela ONG, Bolsonaro afirmou: “Quem é Greenpeace? Essa porcaria chamada Greenpeace. Isso é um lixo, um lixo! Outra pergunta”. Não é a primeira vez que o presidente ataca o Greenpeace. No ano passado, em meio à crise do vazamento de óleo no Nordeste, Jair Bolsonaro chegou a falar que a ONG poderia ser a culpada pelo acidente e nomeou-a como “terrorista”. A ONG desmentiu os boatos ao explicar que o barco acusado de ser culpado nem sequer funcionava com combustível fóssil.

Argentina


Bolsonaro confirmou que vai se reunir com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, em 1º de março, em Montevidéu, no Uruguai. Os dois estarão na cidade para a posse do novo presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou. Este será o primeiro encontro entre os dois chefes de Estado, já que Bolsonaro não foi à posse do argentino, em dezembro do ano passado. Alberto Fernández venceu as eleições pela coalizão de esquerda Frente de Todos e sua vice é a senadora Cristina Kirchner, ex-presidente do país. O presidente brasileiro apoiou a reeleição do presidente Maurício Macri, derrotado nas urnas nas eleições, realizadas em outubro do ano passado no país vizinho.

“Confirmei ontem com o embaixador [a reunião bilateral]. Me interessa conversar com Fernández. O embaixador trouxe uma boa notícia, vai se empenhar para aprovar o acordo Mercosul-União Europeia, também temos outros acordos em andamento com outros países. Foi uma conversa saudável”, disse. Bolsonaro recebeu o chanceler argentino, Felipe Solá, no Palácio do Planalto, e propôs a reunião bilateral com Fernández.

Durante sua visita, Solá pediu apoio do Brasil para renegociar a dívida argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo Bolsonaro, o assunto será tratado entre os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e da Economia, Paulo Guedes. “Para nós, interessa [a recuperação da Argentina], é o maior parceiro comercial na América do Sul, acho que o quarto do mundo. A gente quer ver a Argentina crescer”, destacou o presidente brasileiro.

O país vizinho vive uma crise econômica, com alta da inflação e do desemprego, queda no superávit e uma grande dívida externa. Em 2018, o governo argentino assinou acordo de empréstimo de US$ 57 bilhões com o FMI, durante a gestão de Macri.

Bolsonaro também informou que, ainda no primeiro semestre, fará uma viagem para Polônia, Hungria e Itália.
 



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