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Estado de Minas

Quem é o Grupo de Agricultores Indígenas do Brasil, citado por Bolsonaro na ONU

Movimento foi lembrado pelo presidente brasileiro para criticar o cacique Raoni


postado em 24/09/2019 17:05 / atualizado em 24/09/2019 17:15

Primeiro e único evento do grupo teve a presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles(foto: Reprodução/Twitter Ricardo Salles MMA)
Primeiro e único evento do grupo teve a presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (foto: Reprodução/Twitter Ricardo Salles MMA)
Na manhã desta terça-feira, durante discurso na abertura da 74ª Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) leu uma carta do Grupo de Agricultores Indígenas do Brasil para tentar fundamentar críticas ao cacique Raoni. “Acabou o monopólio do senhor Raoni", diz um trecho do texto. Mas, afinal, qual é esse movimento citado pelo governante brasileiro?

O Grupo de Agricultores Indígenas do Brasil não tem uma data de fundação definida, mas já organizou um único evento para celebrar a safra 2018/2019. O “1º Encontro do Grupo de Agricultores Indígenas do Brasil” aconteceu entre os dias 11 e 13 de fevereiro deste ano, nas aldeias Bacaval e Matsene Kalore, da tribo Parecis, em Mato Grosso.

Na ocasião, chamada também de “Festa da Colheita”, os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) prestigiaram o evento. Segundo o Ministério da Agricultura, a tribo Parecis plantou, somente na cidade de Campo Novo dos Parecis, em Mato Grosso, 8,7 mil hectares de soja, mil de milho e 300 de arroz.

Um trato entre Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Ministério Público Federal propiciou aos indígenas do grupo a plantação de 18 mil hectares no território matogrossense. Os dados, de autoria da Funai e da cooperativa Coopihanama, levam em conta a produção das tribos Parecis, Nambiquara e Manoki.

A ideia desse grupo vai contra o pensamento do cacique Raoni, um ícone mundialmente conhecido da luta dos povos indígenas brasileiros pela preservação da Amazônia. Entre os diversos atos do líder Xingu, está o auxílio na viabilização de um parque situado nos estados do Mato Grosso e do Pará, iniciado em 1993. Ele constitui uma das maiores reservas de florestas tropicais do planeta, com uma superfície de cerca de 180 mil km² (cerca de um terço da França).

Íntegra da carta do Grupo de Agricultores Indígenas do Brasil lida na ONU:


"O Grupo de Agricultores Indígenas do Brasil, formado por diversas etnias, e com representantes por todas as unidades da federação, que habitam uma área mais de 30 milhões de hectares do território brasileiro, vem respeitosamente perante a sociedade brasileira endossar total e irrestrito apoio à indígena Ysani Kalapalo, aqui presente, do Parque Indígena do Xingu, do Mato Grosso, para que a mesma possa da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos, externar toda a realidade vivida pelos povos indígenas do Brasil, bem como trazer à tona o atual quadro de mentiras propagado pela mídia nacional e internacional, que insiste em fazer dos povos indígenas do Brasil uma reserva de mercado sem fim, atendendo aos interesses estrangeiros de países que ainda enxergam o Brasil como uma colônia sem regras e sem soberania.

O Brasil possui 14% de seu território nacional regularizado em terras indígenas, e muitas comunidades estão sedentas para que o desenvolvimento desta parte do Brasil finalmente ocorra sem amarras ideológicas ou burocráticas. Isso facilitará o alcance de uma maior qualidade de vida nas áreas de empreendedorismo, saúde e educação.

Uma nova política indigenista no Brasil é necessária. O tempo urge. Medidas arrojadas podem e devem ser incentivadas na busca pela autonomia econômica dos indígenas. Certamente, que se um conjunto de decisões vier neste sentido, poderemos vislumbrar um novo modelo para a questão indígena brasileira.

Um novo tempo para as comunidades indígenas é fundamental, a situação de extrema pobreza em que se encontram, sobrevivendo tão somente do Bolsa Família e de cestas básicas nunca representou dignidade e desenvolvimento.

O ambientalismo radical e o indigenismo ultrapassado e fora de sintonia com o que querem os povos indígenas representam o atraso, a marginalização e a completa ausência de cidadania.

A realidade ora posta impõe que o mundo na arena da Assembleia das Nações Unidas possa reconhecer nossos desejos e aspirações na voz da indígena Ysani Kalapalo que transmitirá o real quadro do meio ambiente e das comunidades indígenas brasileiras.

Portanto, Ysani Kalapalo goza da confiança e do prestígio das lideranças indígenas interessadas em desenvolvimento, empoderamento e protagonismo, estando apta para representar as etnias relacionadas’.

Acabou o monopólio do senhor Raoni".


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