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Estado de Minas

Fala de Bolsonaro sobre a preservação da Amazônia é questionada por quem vive na região

Empreendedoras na Ilha do Combu, em Belém do Pará, refutam o discurso que a região Amazônica permanece intocada e preservada, como afirmou o presidente na ONU


postado em 24/09/2019 12:06 / atualizado em 24/09/2019 13:10

No discurso proferido na Assembléia da ONU, presidente Jair Bolsonaro afirmou que tem "compromisso solene" com a proteção da Amazônia. Disse que a Amazônia é maior do que toda a Europa ocidente e "permanece praticamente intocada", o que seria prova de que o Brasil é "um dos países que mais protegem o meio ambiente". Bem, quem vive na região sabe que a realidade é outra. Os povos da Amazônia contestam a fala do presidente.

“O nosso solo, até então, era sagrado. A natureza está sentindo os efeitos da ação do homem. Nossos rios estão cada dia mais poluídos de lixo, óleo e produtos químicos dos garimpos. Nossas árvores não florescem e nem dão frutos como antigamente. Sinto a tristeza da samaúma – a gigantesca árvore de 40 metros e mais de 400 anos – que é a representante da Amazônia. Sinto que ela quer nos dizer algo: que nós precisamos parar, agora, de maltratar os rios, as árvores e as matas". A fala é da Prazeres Quaresma, conhecida como Dona Neneca, moradora de Belém e chef e proprietária do restaurante Saldosa Moloca ( com L mesmo), na Ilha de Combu, em Belém do Pará. 
 
Ribeirinhos da Ilha do Combu, em Belém do Pará, vivem da subsistência da pesca e do cultivo orgânico do cacau e do acaí (foto: Carlos Altman/EM)
Ribeirinhos da Ilha do Combu, em Belém do Pará, vivem da subsistência da pesca e do cultivo orgânico do cacau e do acaí (foto: Carlos Altman/EM)
 
Para Dona Neneca, os brasileiros precisavam visitar a região Norte e conhecer como vive os povos da floresta. Entender a conexão dos ribeirinhos com as águas da região Amazônica. “Dependemos dos peixes e crustáceos para poder sobreviver. Cultivamos o açaí, o cupuaçu, o cacau e o bacuri da mesma forma artesanal que nossos antepassados. Tudo orgânico e natural. Sem a presença de agrotóxicos.  Este é um ano atípico aqui no Pará. As chuvas diminuíram. Sentimos os efeitos das queimadas que encobrem com a fumaça escura os céus da nossa terra”, completa. 
 

Sustentabilidade 

Instalada na ilha há mais de 30 anos, o empreendimento de Dona Neneca tem uma preocupação como o meio-ambiente. Todo lixo é reciclado. As sobras de comida são compostadas e transformadas em adubo. Plantamos ou compramos dos ribeirinhos tudo servimos como as ervas, verduras, frutas e legumes. 

Também bastante conhecida na ilha, Dona Nena, da Casa do Chocolate Filhas do Combu, é defensora do selva Amazônica.  “Vivemos em um santuário de plantas e animais. Nosso bioma, por mais vasto que seja, sente os efeitos dos homens. Os povos da florestas sabem que tudo que nos é dado pela natureza é fruto de uma relação harmônica e de respeito com a floresta. Se maltratamos a natureza, ela revida com secas, ausências de frutos e peixes. Podemos deixar de existir se continuarmos a agir dessa forma”, lamenta Dona Nena.


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