Publicidade

Estado de Minas POLÍTICA

Raquel diz que Lava-Jato tem apoio 'institucional e administrativo' da PGR

Apesar do afago institucional, que será feito em nota oficial da PGR, Dodge não fez declarações públicas sobre o caso


postado em 16/07/2019 19:33 / atualizado em 17/07/2019 00:06

(foto: Carlos Moura/STF/SCO )
(foto: Carlos Moura/STF/SCO )
Em meio a divulgação de supostas mensagens de membros da Lava-Jato, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse em reunião com oito procuradores da força tarefa de Curitiba que a operação tem apoio "institucional e administrativo" da Procuradoria Geral da República (PGR).
 
A conversa durou cerca de três horas e ocorreu a portas fechadas. Dodge se reuniu com o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, e outros sete investigadores da operação na sede da PGR em Brasília. É o primeiro gesto de Dodge em defesa da operação desde o início das divulgações das reportagens do site The Intercept.
 
“O apoio institucional, financeiro e de pessoal ao combate à corrupção e ao crime organizado, para que a Força-Tarefa Lava Jato cumpra com integridade seus objetivos, continuará, permitindo que o patrimônio público seja preservado e que a honestidade dos administradores prevaleça. O respeito ao contraditório e a ampla defesa devem sempre ser observados na atuação institucional, especialmente nas ações judiciais, para assegurar que o trabalho feito com qualidade e eficiência passe pelo crivo das várias instâncias judiciais e do Ministério Público, e esteja apto a produzir efeitos legais válidos”, disse a procuradora-geral da República.
 
(foto: Zeca Ribeiro/ Secom/ PGR)
(foto: Zeca Ribeiro/ Secom/ PGR)
Durante o encontro, Raquel Dodge relatou aos procuradores medidas adotadas desde o início do mês de maio, quando surgiram os primeiros indícios de tentativa de invasão de aplicativos instalados em celulares funcionais utilizados por membros do Ministério Público Federal (MPF). Lembrou que determinou a instauração de Procedimento Administrativo para apurar o caso e solicitou providências à Polícia Federal, que conduz os inquéritos para apurar os responsáveis pelo crime cibernético e assegurar que todas as medidas administrativas possíveis sejam tomadas no sentido de garantir a segurança da informação. 
 
O coordenador da Força-Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, agradeceu a PGR pela oportunidade de reunir todos os integrantes para discutir ao ataques e a divulgação de mensagens atribuídas a integrantes do grupo. Ele demonstrou preocupação com o que classificou como uma tentativa de atingir o Ministério Público Federal (MPF), e reforçou que o grupo cumpriu seu dever no combate à corrupção. “Temos tranquilidade em relação ao que fizemos. Não ultrapassamos a linha ética. Somos um grupo grande que sempre decidiu em conjunto. Sucessivas pessoas passaram por lá, a atuação era técnica e legítima”, destacou.
 
Apesar do afago institucional, que será feito em nota oficial da PGR, Dodge não fez declarações públicas sobre o caso. Tanto a procuradora-geral quanto os membros da Lava-Jato não falaram com a imprensa.
A sinalização de Dodge aos investigadores ocorre num momento em que ela tenta ser reconduzida ao cargo pelo presidente Jair Bolsonaro apesar de não estar na lista tríplice do cargo.
 
O site The Intercept Brasil divulgou supostos diálogos que mostram que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e Deltan Dallagnol discutiam processos em andamento e comentavam pedidos feitos à Justiça pelo Ministério Público Federal enquanto integravam a força-tarefa da Lava Jato.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade