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Estado de Minas

Como as prisões no caso Marielle repercutiram em grupos bolsonaristas e de oposição

Desdobramentos da Operação Lume desta terça-feira inflaram os dois grupos ideológicos que atuam no país pelas redes sociais


postado em 12/03/2019 21:07 / atualizado em 12/03/2019 21:23

Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos contra Marielle, e Élcio Queiroz, suspeito de dirigir o carro(foto: Divulgação/PCERJ)
Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos contra Marielle, e Élcio Queiroz, suspeito de dirigir o carro (foto: Divulgação/PCERJ)
O silêncio quase absoluto contrasta com a revolta profunda quando o assunto são as prisões da Operação Lume, que investiga a execução da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, mortos há um ano na capital do Rio de Janeiro.  Nesta terça-feira, a Polícia Civil e o Ministério Público prenderam o policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, de 46, ambos suspeitos de serem autores do crime. Com eles foi encontrada uma arma, munição e três celulares. A principal linha de investigação do poder público aponta que Marielle e Anderson foram assassinados por causa das lutas sociais que a vereadora encabeçava. 

Apesar da brutalidade do crime e da repercussão internacional da morte da psolista, os desdobramento das investigações repercutiram de forma bastante distinta entre os dois principais grupos ideológicos que hoje atuam no país pelas redes sociais. Se por um lado a revolta com a morosidade do poder público e a falta de respostas em relação ao caso inflamou os grupos ligados à oposição, o silêncio ou a relativização da figura de Marielle figuraram nos grupos bolsonaristas. 

“Marielle vive, mas o motorista morreu mesmo”, essa frase estampa uma imagem que foi publicada em um dos grupos conservadores no WhatsApp. Nela, aparecem duas fotos, de Marielle e de Anderson, acompanhados por risadas e comentários críticos à esquerda. Apesar disso, poucas foram as menções às prisões nos grupos ligados ao bolsonarismo. Em mais de 500 grupos de What’sApp que são monitorados por uma ferramenta a que o Estado de Minas teve acesso, apenas duas menções à vereadora foram encontradas. 

Além da imagem descrita anteriormente, há um texto intitulado “Mangueira: a Vingança do Tráfico”, atribuído ao blogueiro Hamilton Bonat. Ele relaciona a escola de samba, ganhadora do desfile do carnaval do Rio em 2019, com criminosos do Rio de Janeiro e a vereadora executada. Em um trecho, no qual comenta uma crítica que a Mangueira fez à ditadura militar, Bonat escreve: “fiquei imaginando tratar-se de uma reação ao governo recém-empossado, até surgir na tela a figura da ‘viúva’ de Marielle. Caiu a minha ficha. Marielle defendia traficantes”. No fim do texto há um link para a publicação no site do blogueiro. Contudo, no material publicado na internet ele retifica as acusações que são repassadas via WhatsApp: “alertado por algumas pessoas de que eu não teria como comprovar as ligações da escola e de ninguém mais com o tráfico, alterei o texto que se segue, reconhecendo que exagerei ao expor aquelas ideias, pelo que peço excusas”.

Em outras redes sociais, porém, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL) criticaram mais fortemente a vereadora e também a acusam de ter ligação com o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Outro ponto que aparece constantemente é a comparação das investigações da Operação Lume com as que dão conta do atentado sofrido pelo presidente durante a campanha. “querem saber quem mandou matar Marielle, mas quem mandou matar Bolsonaro?”, escreveu um deles. “Marielle foi tragada pela sua própria ideologia, porque os políticos corruptos nunca fizeram o combate ao narcotráfico e a corrupção, sempre defenderam os direitos dos bandidos”, argumentou outra. 

Por outro lado, a situação foi muito diferente em grupos ligados ao pensamento de esquerda. Frases como “Quem mandou matar Marielle?”, “Marielle presente” e “Bolsonaro é miliciano” foram constantes no debate promovido por eles. “Marielle combatia o crime organizado e foi morta por isso. A polícia simplesmente não se deu ao trabalho de ir atrás dos assassinos”, diz um dos textos que circula nesses grupos de WhatsApp. 

Há, também, acusações sobre uma suposta ligação entre familiares de Jair Bolsonaro, as milícias do Rio de Janeiro e a execução da vereadora. “Que coisa! A pessoa não pode ter vizinho miliciano, filha e mulher de miliciano como funcionária, motorista envolvido com miliciano, várias fotos com milicianos, homenagear miliciano, que a galera já diz que são milicianos”, argumenta outra mensagem.

Ainda, o barulho causado por esse grupo em outras redes sociais chegou a pautar as discussões no Twitter nessa terça-feira. O nome de Marielle Franco, a frase “Quem matou Marielle” e a hashtag “#OAssassinoMoraAoLado”, a respeito da proximidade da casa de um dos presos na operação com a de Jair Bolsonaro, ficaram entre os assuntos mais comentados no dia.

* Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa

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