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Estado de Minas

Crise no Planalto preocupa aliados do governo no Congresso

Parlamentares da base e da oposição afirmam que o início de uma crise moral pode afetar as articulações no parlamento. No PSL, já há integrantes que defendem a exoneração de Bebianno


postado em 15/02/2019 07:40

Cleia Viana/Câmara dos Deputados(foto: O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, diz que o trabalho de Bebianno foi fundamental na campanha:
Cleia Viana/Câmara dos Deputados (foto: O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, diz que o trabalho de Bebianno foi fundamental na campanha: "Se houver demissão, será uma injustiça" )

As suspeitas que cercam o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, têm deixado aliados preocupados no Congresso. Parlamentares da base e da oposição afirmam que o início de uma crise moral pode afetar as articulações no parlamento. No PSL, legenda do presidente Jair Bolsonaro, já há integrantes que defendem a exoneração do ministro. Eles entendem que o chefe do Executivo precisa resolver logo a situação, que tem minado o discurso anticorrupção adotado nas eleições. Caso decida manter Bebianno no cargo, e as suspeitas aumentem, o governo pode ver perdurar a crise, avaliam deputados. E se exonerá-lo, o Executivo terá de lidar com a primeira baixa de um membro próximo ao presidente em um mês e meio de gestão.

Nas duas primeiras sessões deliberativas deste início de legislatura, a sintonia do PSL e do Palácio do Planalto se mostrou frágil, enfatiza um membro da legenda. Parlamentares da sigla chegaram ao ponto de reivindicar alterações no projeto que tratava do congelamento imediato de bens de supostos terroristas, defendido pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro.

''Temos seis ministros investigados por corrupção. O resultado disso tudo é um estelionato eleitoral''

Fernanda Melchionna, deputada do PSol



Segundo um deputado do PSL, que pediu anonimato, a situação vivida por Bebianno tem intensificado o clima “beligerante” entre a oposição e a situação e criado um ambiente pesado no Congresso. O receio é de que o presidente comprometa o discurso anticorrupção. “Bolsonaro se elege com esse discurso, aí aparece o problema do filho (Flávio) que ainda não está explicado. Aí, aparecem essas suspeitas de laranjas na gestão do Bebianno. Ele (Bolsonaro) vai precisar investigar e tomar as medidas corretas, caso contrário, pode comprometer o governo”, afirma o parlamentar.

O congressista ressalta, no entanto, que a questão da saúde do presidente, que o manteve no hospital por 17 dias, pode ter contribuído com essa instabilidade inicial. Agora, com o retorno dele ao Planalto, a condução dos problemas pode melhorar. “Ele saiu de uma situação dramática do hospital. Teve de tudo. É preciso dar um desconto ao Bolsonaro”, ponderou o pesselista.

O líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir (GO), frisa que o trabalho de Bebianno na campanha foi “fundamental” para eleger o presidente. “Se houver demissão, será uma injustiça”, defende.

O deputado Heitor Freire (PSL-CE) também saiu em defesa de Bebianno. Segundo ele, o ministro é um homem “íntegro, sério e de reputação ilibada”.

Prejuízos à pauta

 
Mesmo acreditando que a situação vai melhorar, a deputada Celina Leão (PP-DF), integrante da base governista, conta que a crise tem deixado os parlamentares em uma condição “difícil”. “A avaliação de todo mundo é de que a gente não consegue avançar na pauta”, diz.

A deputada Mara Rocha (PSDB-AC) lamenta o clima de polarização no Congresso nas últimas duas semanas, intensificado pelas suspeitas. Ela entende que o parlamento tem deixado de tratar de temas importantes devido a esse conflito. “Temos tido dias improdutivos como o de hoje (ontem). Estamos vivendo um Big Brother”, critica.

Na quarta-feira, parlamentares do PSol protocolaram um pedido de convocação para que Gustavo Bebianno dê explicações na Câmara. No entanto, a solicitação tem de ser avaliada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia, que pode levá-la ou não a plenário. “Temos seis ministros investigados por corrupção. O resultado disso tudo é um estelionato eleitoral. O tema envolve as lideranças do PSL e esbarra em duas questões difíceis: o fundo partidário e a participação das mulheres. Os recursos enviados à candidata que não existe não foram encontrados até agora”, ressalta Fernanda Melchionna (PSol-RS).


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