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Estado de Minas

Temer insinua que Janot recebeu dinheiro e afirma que denúncia contra ele é 'ficção'

O presidente exigiu que fossem apresentadas 'provas concretas' e aproveitou para atacar o procurador-geral da República


postado em 27/06/2017 16:02 / atualizado em 27/06/2017 19:26

(foto: / AFP / EVARISTO SA )
(foto: / AFP / EVARISTO SA )

O presidente Michel Temer afirmou na tarde desta terça-feira que é “vítima de ilação” e cobrou a existência de “provas concretas que o incriminem”. Ainda segundo ele, a decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) é revanchismo com denúncias “frágeis". Ele classificou a denúncia de “ataque injurioso, indigno, infamante à minha dignidade pessoal." A fala durou cerca de 17 minutos. Boa parte da fala foi usada para atacar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

“Vocês sabem que fui denunciado por corrupção passiva, sem jamais ter recebido qualquer valor, e não participei de acertos para receber ilícitos. Afinal, onde estão as provas concretas de recebimento desses valores? Inexistem”, afirmou. Ele ainda disse que não se preocupa com a parte jurídica, mas com a repercussão. “No momento em que estamos colocando o país nos trilhos somos vítimas desta infâmia de natureza politica”, disse o presidente.

Nessa segunda-feira, Janot denunciou o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção passiva. A acusação está baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS. Esta é a primeira vez que um presidente no exercício do mandato é denunciado ao STF por corrupção.

Janot


Temer usou boa parte do tempo para insinuar que o procurador-geral da república, Rodrigo Janot, teria  recebido valor indiretamente de um dos advogados de escritório especializado em fechar acordos de delação. Marcelo Miller já foi procurador e era muito próximo de Janot e deixou o cargo para atuar na iniciativa privada.

"Este senhor, que acabei de mencionar, deixa um emprego que é um sonho de milhares de jovens, abandona a Procuradoria para ir para uma empresa que faz delação premiada ao procurador-geral. Mas vocês sabem que há quarentena. Mas não houve quarentena nenhuma.”, disse.

O ex-procurador Marcelo Miller trabalhava com Janot, mas deixou o cargo. O peemedebista tentou insinuar que esse fato, usados os mesmos critérios, que segundo ele, embasaram a denúncia contra ele, levaria a crer que Janot poderia estar recebendo algum valor com o fechamento das delações. A PGR, no entanto, nega que Miller tenha participado das negociações com Joesley. 


Associação

Outra estratégia do presidente foi a tentativa de associar a denúncia de irregularidades contra ele à instituição da Presidência da República. “Não fugirei das batalhas, nem da guerra que temos pela frente. A minha disposição não diminuirá com os ataques irresponsáveis à instituição Presidência da República, nem ao homem Michel Temer. Não me falta a coragem para seguir na reconstrução do Brasil e na defesa de minha dignidade pessoal”, disse.

 

Sobre a gravação da conversa que teve com o empresário Joesley Batista, no Palácio do Jaburu, Temer afirmou que a gravação é uma prova ilícita e não pode ser aceita pela Justiça.

A denúncia de Janot foi enviada ao ministro Edson Fachin, relator da investigação envolvendo o presidente, e só poderá ser analisada pelo Supremo após a aceitação de 342 deputados federais o equivalente a dois terços do número de deputados da Câmara. O advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, afirmou que presidente é inocente das acusações de prática de corrupção.

Em outro momento, Temer disse que disposição de causar instabilidade no país fez, inclusive, com que a PGR fatiasse a denúncia, criando uma espécie de 'roteiro de novela' com fatos, que não são necessariamente novos, sejam divulgados toda a semana.


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