Os jurados que vão decidir se o cerealista Hugo Pimenta tem ou não participação na Chacina de Unaí já estão reunidos. A expectativa é que até o começa da noite desta quarta-feira a posição deles seja conhecida. Antes de se recolherem para votar, o juiz que preside o julgamento, Murilo Fernandes, explicou os quesitos que serão respondidos pelo conselho de sentença. São 32 perguntas em quatro séries idênticas, pois são quatro vítimas. As perguntas vão definir o entendimento dos jurados se Pimenta teve participação na condição de intermediário para a contratação dos pistoleiros. O corpo de sentença tem quatro mulheres e três homens.
O empresário cerealista Hugo Alves Pimenta, delator do caso e acusado de ter sido um dos intermediários na contratação dos pistoleiros que executaram em janeiro de 2004, com tiros na cabeça, no município de Unaí, Noroeste de Minas, os quatro funcionários do Ministério do Trabalho e Emprego.
Apesar de seu estreito relacionamento com Norberto Mânica, um dos mandantes do crime, em acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), Hugo Pimenta depôs como testemunha de acusação. Em razão disso, se considerado culpado, a sua pena poderá ser reduzida em até dois terços. Nas duas últimas semanas, Norberto e seu irmão Antério Mânica foram condenados a 100 anos de prisão, cada. Os pistoleiros contratados foram julgados no ano passado e já cumprem penas que somam 226 anos.
Na tarde desta quarta-feira o advogado de defesa, Lucio Adolfo, explorou em sua sustentação o acordo de delação premiada entre Hugo e o Ministério Publico Federal. No entanto, o procurador da Republica Bruno Magalhães rebateu: "Não colocamos a mão no fogo por ele no passado e não colocamos agora", disse.
Os auditores fiscais Erastótenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e o motorista Ailton Oliveira foram mortos a tiros quando faziam fiscalização de rotina na zona rural de Unaí.
