Depois de causar mal-estar na cúpula do governo federal com uma declaração controversa sobre a continuidade da presidente Dilma Rousseff (PT) no Palácio do Planalto até o fim do mandato, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) publicou nota ontem afirmando ter havido interpretação errônea das palavras ditas por ele em um debate na quinta-feira. Ele disse trabalhar junto a Dilma para melhorar os rumos do país e foi incisivo ao afirmar que “a divisão e a intriga são hoje grandes adversários do Brasil e agravam a crise política e econômica”, diz trecho da nota assinada pela Assessoria de Comunicação Social da Vice-Presidência da República.
Em tom semelhante ao discurso adotado pelo ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, para explicar a polêmica, a nota afirma que Temer “não é frasista. Não se move pelos subterrâneos, pelas sombras, pela escuridão. A sua única cartilha é a Constituição”. Ambos consideraram erro de interpretação o direcionamento dado pela imprensa das palavras ditas pelo vice-presidente. “A hora é de trabalho e de união. Apesar de seu zelo, e atento ao cargo que ocupa, não são poucas as teorias divulgadas de que suas atitudes podem levar à ideia de conspiração. Repudia-a”, diz a nota da assessoria, para logo depois afirmar ser Temer “legalista por convicção e vício profissional” e trabalhar para superar a crise.
Com a declaração ganhando as manchetes de alguns dos principais jornais do país, a cúpula do governo considerou desastroso o discurso e poderia indicar a tentativa de conspiração de Temer para derrubar a presidente, principalmente depois de o vice-presidente ter se afastado da interlocução política no Congresso. Por outro lado, paralelamente a isso, por recomendação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Palácio do Planalto tenta reforçar laços com o PMDB para superar a crise política. O peemedebista teria reclamado pessoalmente com Dilma por não ter sido avisado de reuniões do governo com congressistas.
ENCONTRO Na terça-feira, os sete governadores do PMDB reúnem-se com Temer e os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e Eduardo Cunha. No encontro, serão apresentadas propostas de reforma tributária, trabalhista e previdenciária. “Precisamos nos movimentar, procurar caminhos. Não é uma quadra simples da vida nacional. Não é de um Band-aid que precisamos. Precisamos de reformas estruturais no nosso país. Estamos flertando com a desorganização”, disse o governador capixaba, Paulo Hartung. (Com agências)
