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Estado de Minas 52 ACIDENTES E SEM HELICÓPTERO

Para transportar ministra, helicóptero deixou de socorrer 75 pessoas em SC

Nos dias em que Ideli Salvatti usou aeronave do Samu, 73 pessoas ficaram feridas e duas morreram nas estradas de Santa Catarina


postado em 07/11/2013 06:00 / atualizado em 07/11/2013 06:44

Investigação em curso do Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF-SC) aponta que ocorreram 52 acidentes com 73 feridos e dois mortos nas estradas do estado em pelo menos três dias em que a ministra da Secretaria das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, usou o único helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na região, conveniado com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No início de outubro, o Correio Braziliense denunciou que Ideli, pré-candidata por Santa Catarina ao Senado, turbinou aparições públicas em sua base eleitoral justamente a bordo dessa aeronave, destinada prioritariamente à remoção de feridos graves resgatados em acidentes.

O modelo Bell 407 (prefixo PT-YZJ) é equipado com uma maca, tubo de oxigênio e material de primeiros socorros. À disposição de Ideli, o helicóptero teve os equipamentos retirados e a escala de atendimento de urgência suspensa. Os dados que chegaram ao MPF de Santa Catarina são da própria PRF e fazem parte do Relatório Operacional Diário (ROD).

Em 25 de janeiro, por exemplo, foram registrados 40 acidentes com 21 feridos. Naquele dia, a maca foi retirada do helicóptero porque a ministra precisava utilizar o Bell 407 para ir a Laguna e depois a Timbé do Sul (veja quadro). Durante toda a sexta-feira, o Bell 407 ficou impedido de participar de operações de salvamento. Dois meses depois, em 25 de março, o sistema da PRF contabilizou 39 acidentes, com 20 feridos e um morto. Ideli utilizou novamente a aeronave, desta vez para ir a Mafra.

Em 24 de agosto do ano passado, ao lado do então ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, a aeronave ficou à disposição de Ideli das 9h às 18h. Ela foi a Blumenau e, de lá, a Jaraguá do Sul. Naquele dia, foram contabilizados 37 acidentes, com 33 vítimas e um morto.

O procurador da República Mário Sérgio Barbosa, um dos três responsáveis pelo inquérito civil público, afirmou que “os fatos trazem indícios graves e a investigação, agora, será aprofundada”. De acordo com ele, o MPF buscará o detalhamento de todos os acidentes ocorridos. “Vamos investigar se, quando esses acidentes ocorreram, era necessário o acionamento da aeronave para remoção dos feridos. Também estamos checando se outras autoridades utilizaram a aeronave com o mesmo propósito da Ideli. É o momento de aprofundar a investigação.”

RESPOSTA A Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República comunicou, na noite de ontem, que “não se manifesta sobre investigações em andamento”. A assessoria de imprensa da PRF informou que não poderia se posicionar sem ter acesso aos dados que constam no Inquérito Civil Público instaurado pelo MPF.

No mês passado, logo após a publicação da denúncia, a Secretaria de Relações Institucionais informou que o Bell 407 “é multifunção e, de acordo com o Decreto Presidencial 4.244/12, é reservado para transporte de autoridades, policiamento e missões de resgate”. A pasta comunicou ainda que “a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais fez uso dessa aeronave sempre em agendas oficiais, amparada pelo decreto presidencial já mencionado, de acordo com disponibilidade da aeronave e anuência da Polícia Rodoviária Federal”.


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