
Brasília – Os cinco governadores do PT vão cobrar da presidente Dilma Rousseff a mudança no índice que corrige as dívidas dos estados. Reunidos nessa segunda-feira com o presidente do partido, Rui Falcão, os governadores avisaram que engrossarão a pressão para que sejam adotados outros parâmetros de pagamento de seus débitos. “É inexplicável o castigo dos governos estaduais, que pagam suas dívidas às expensas de uma taxa de juros que não cabe mais no jogo”, resumiu o governador da Bahia, Jaques Wagner, numa referência ao Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI). “Por que os estados têm de ser sacrificados e pagar mais do que todo o mercado financeiro está pagando?”, questionou.
Wagner destacou que o IGP-DI supera o índice de correção dos próprios empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que hoje é a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de 6% ao ano. “Ninguém quer quebrar a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas, se um índice mais baixo vale para instituições privadas, por que não vale para os governos dos estados”, perguntou ele.
Depois de três horas de reunião com o presidente do PT, os governadores saíram em defesa do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, que a oposição quer levar ao Congresso para explicar a origem do patrimônio. Para Jaques Wagner, o Congresso é uma casa política, e não o local apropriado para investigações. “Por que o Congresso?” Se querem esclarecimento, o melhor caminho é o do Ministério Público Federal”, afirmou Wagner. “Quem quer fazer o caminho escuso não compra algo em seu próprio nome”, disse o governador da Bahia, se referindo aos apartamentos adquiridos pelo ministro.
Para o governador do Sergipe, Marcelo Déda, convocações de ministros para depor no Congresso fazem parte do “cotidiano”. “Ninguém deve ver nisso uma tentativa de desestabilização”, comentou Déda. “Agora, quem tem de avaliar (se o ministro da Casa Civil deve ou não ir ao Congresso prestar esclarecimentos) é o governo e o próprio Palocci.”
