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Estado de Minas Reflexão

Carta aos missionários


25/02/2022 04:00

Marcelo Pereira Rodrigues
Belo Horizonte

“A história é cíclica e evidencia-se isso na composição de Cazuza e Arnaldo Brandão: ‘Eu vejo o futuro repetir o passado / eu vejo um museu de grandes novidades”... pois é isso que está ocorrendo atualmente na Europa, com as democracias tagarelas (concepção de Alexis de Tocqueville) inertes frente à invasão da Federação Russa na Ucrânia. Otan e Estados Unidos não têm um histórico de enfrentamento direto, antes parlamentar, e das ameaças de sanções Vladimir Putin faz ouvidos de mercador. Quando te ameaçam com a espada, não é aconselhável revidar com ramalhete de flores. O ator e dublê de presidente Volodymyr Zelensky fraqueja e estrategicamente parece não ter lido ‘A arte da guerra’, de Sun Tzu. Aliás, a relação dos dois faz lembrar a parábola de Friedrich Nietzsche (1844-1900) acerca do lobo e do carneiro. Não importa o que este último faça, o lobo tem sempre justificativas para a agressão.
Tristemente, isso ocorreu na Hungria, em 1956, quando o mundo ocidental deixou os húngaros entregues à própria sorte, como bem descrito no livro ‘Doze dias – A revolução de 1956’, de Victor Sebestyen, e também os tchecoslovacos em 1968. Enquanto Putin dispensa os smartphones e redes sociais, preferindo ‘brincar’ com armamento pesado e sem receio de derramamento de sangue, os líderes do Ocidente, brincando de influenciadores que não influenciam muita coisa, se abrigam nos tuítes, nas notinhas protocolares de agravo e nas ameaças de sanções, chamando para a diplomacia quando a guerra já foi deflagrada, assemelhando-se àqueles que providenciam a fechadura do cofre após terem sido roubados.
Finalizo esta reflexão recorrendo a mais uma letra de música, desta vez da banda de rock Uns e Outros, na canção que intitula este texto: ‘Generais de todas as nações, fardas bonitas, condecorações, documentam na nossa história, o seu rastro sujo de sangue e glória’.”

* Filósofo e escritor

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