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Estado de Minas COVID-19

Desabafo de uma cidadã cansada com a doença


postado em 01/04/2020 04:00


Andreia Donadon Leal 
Belo Horizonte

 "O tom da prosa não é de louvor à sabedoria, mas de resignação à ignorância. Brotaram mais vírus por aí, fazendo novos cadáveres. Caixões ocupam quarteirões na Itália e na Espanha. O mundo desenvolve conceitos de isolamento social para salvar vidas. Isolamento sem dessocialização. Socialização sem encontros. Afeto sem toque. Sublimação da proteção, abrindo mão das comemorações festivas. Crise, despreparo, histeria, desemprego tematizam pronunciamentos oficiais ao deus-dará de medidas provisórias que matarão o povo de fome. Peste dos infernos, que desgoverno patético. Ninguém entende bulhufas. Faz frio, faz calor. Chove, estia. Pais brigam com filhos, filhos brigam com pais. Um senhor de 80 sai de casa e caminha na sua pequena rua vazia. Barreiras montadas nas entradas das cidades. Fecharam por que, se não tem patrulhamento? Entram e saem na boa; eu vi. Pandemia e balbúrdia das autoridades. Lavar as mãos com água e sabão, compulsivamente. Auto-exame dos pulmões: respirar, prender a respiração por 10 segundos, aconselha um profissional da saúde. Lá vai o idoso, se escondendo da polícia, no beco. Aproveito para respirar ao ar livre, enquanto espero no portão o motoboy que vem me entregar dois galões de água. Presidente encolerizado critica imprensa, governadores, prefeitos, internautas. Onde estão os belos discursos políticos? Nos anais da histórias de outrora, nas melhores lembranças de nossos alfarrábios. Que dó me dá de nós, meu Deus! Onde foi parar a sanidade do Executivo? Superou todos os limites da irresponsabilidade e da insensatez! Panelaço do Brasil indignado salta das janelas e ecoa pelas mídias. Que dó me dá de nós! Tropeço na porta de casa. Cumprimento vizinho de longe. Confinamento e cooperação. Isolamento sem dessocialização."

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