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Estado de Minas REFLEXÃO

Não torne outras religiões um bicho-papão


postado em 22/02/2020 04:00

João Baptista Herkenhoff
Vitória 

“É preciso estar atento a rótulos e à lavagem cerebral. A tolerância é condição de sobrevivência da humanidade. Não apenas no plano internacional, mas também no Brasil, buscar o aperto de mãos, construir pontes, celebrar o diálogo é o caminho da paz. Corre, com frequência, a ideia de que o islamismo é incompatível com os ideais democráticos. O fundamentalismo, ou seja, a pretensão de deter toda a verdade, a intolerância para com o divergente, o carimbo de herege aposto aos que discordam, não é monopólio do Islã. Também entre os cristãos existem fundamentalistas. O islamismo não é incompatível com os direitos humanos. Tive a oportunidade de participar, na França, de um Congresso Internacional Islâmico-Cristão e foi uma das mais belas e importantes experiências que esta vida, já alongada, me proporcionou. Naquele encontro fraterno, marcado pela tolerância e pelo despojamento, homens e mulheres portadores de crenças diferentes, procuramos descobrir nossas identidades, em vez de realçar nossas divergências. Que doçura para a alma de um cristão ouvir, face a face, de um muçulmano, que o islamismo prescreve a fraternidade; adota a ideia da universalidade do gênero humano e de sua origem comum; ensina a solidariedade para com os órfãos, os pobres, os viajantes, os mendigos, os homens fracos, as mulheres e as crianças; estabelece a supremacia da justiça acima de quaisquer considerações; proclama a liberdade religiosa e o direito à educação; condena a opressão e estatui o direito de rebelar-se contra ela; estabelece a inviolabilidade da casa. Há uma forte incidência da herança judaico-cristã no arcabouço do islamismo. Esse abismo que se proclama existir entre o Ocidente e o mundo islâmico tem razões políticas e econômicas. Não se baseia na verdade. Hoje, satã é o Islã, como no passado historicamente recente, satã era a Alemanha e a Itália. A propósito de alemães e italianos, a propaganda era feita com tal malícia e capacidade técnica que brasileiros supunham ser um dever patriótico perseguir imigrantes que descendiam desses povos europeus.”

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