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Estado de Minas LITERATURA

A sutil arte de ''esquecer'' livros


postado em 23/01/2020 04:00

Luiz Carlos Amorim
Florianópolis - SC

“Venho ‘esquecendo’ livros em aeroportos, navios, portos, praças, ônibus, bares, restaurantes, em lugares públicos e em outros países, inclusive, há vários anos. Foi uma ideia que surgiu inadvertidamente, sem nenhuma pretensão, mas que trazia prazer em fazer, pois é muito bom imaginar que alguém vai achar o livro e vai levá-lo para ler. E o que é melhor ainda, pode passá-lo adiante, depois, para que outras pessoas possam lê-lo, também.
Então, fico sabendo, há pouco tempo, que outros escritores também estão fazendo isto, ‘esquecendo’ livros por onde passam. E alguns até ficam à espreita, às vezes, para ver a reação da pessoa que vai achar o livro. A pessoa vai levar o livro? Vai lê-lo ali mesmo e depois deixá-lo no mesmo lugar? Disseram-me que já se surpreenderam com o que viram. Por exemplo: uma pessoa apanhou o livro, inspecionou-o, olhou para os lados, como para ver se alguém estava prestando atenção nela, colocou-o na bolsa e foi embora, de fininho. Como se achasse um tesouro. Não é interessante?
Tudo isso para dizer que essa gesto de ‘esquecer’ um livro pode fazer a gente muito feliz. E faz. Outro dia, numa reunião de escritores que fizemos em Santo Antônio de Lisboa, deixei no restaurante um livro com a mensagem sobre a qual já falamos: leia e deixe o livro num local como este, para que outra pessoa o ache e possa ler também. Pois no último fim de semana, em outro encontro, uma escritora nova que chegava me dizia que foi ela a leitora que pegou o livro que deixei lá em Santo Antônio de Lisboa. 
E que ela já tinha copiado alguns poemas e já o tinha ‘esquecido’ em outro lugar.
Então, ‘esquecer’ livros é fundamental. Quantos leitores lerão nossos livros ‘esquecidos’? Um, nenhum, muitos? Não importa. O que importa é que isso significa a oportunidade de ler, de gostar de ler, de ter e manter o hábito de ler para muitas pessoas.”


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