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Estado de Minas artigo

Parada LGBT+ em BH reacende discussão sobre direitos


05/11/2022 04:00



Kleber Santos
Escritor do livro “Entre muros e morros” 
e referência em assuntos LGBTQIAP+

A Parada de Orgulho LGBT , em Belo Horizonte, amanhã, marca o retorno, após dois anos de suspensão com a pandemia de coronavírus. O evento é um registro fundamental para a luta do coletivo LGBT , desafiando a lógica heteronormativa. Infelizmente, essas ações servem como manifestações contra a lgbtfobia, são um meio para que essas pessoas possam afirmar sua existência e seus valores, tendo começado com a Revolta de Stonewall, nos Estados Unidos, em 1969, bar que abrigava pessoas LGBT e que, constantemente, sofria com ações policiais truculentas. De lá pra cá, muita coisa mudou, mas a necessidade de realizar festivais afirmativos, não.

A verdade é que o simples fato de nascer com orientação sexual ou identidade de gênero considerada por milhares de conservadores e preconceituosos como “diferente” já marginaliza a pessoa. Assim como o amor e a liberdade são para todos, a orientação sexual e a identidade de gênero não implicam diferenças.

É possível observar avanços sociais, sim, decorrentes de muita luta, sofrimento, mortes e recorrentes manifestações. Contudo, a verdade é que se caminha a passos de tartaruga na retomada da dignidade e aceitação plena. Trata-se de milhares de indivíduos, ainda marginalizados e não serão projetos governamentais, propostos por pessoas “normais”, que garantirão cidadania, respeito e tolerância, rompendo uma tradicional barreira social.

A questão é que, diariamente, centenas de gays e lésbicas inventam namoradas e namorados para suprir cobranças constrangedoras por parte dos pais, parentes e colegas. Quantos não se casam para, de fato, esconder a orientação sexual? Quem ama um igual não é marginal e nem está praticando um crime. Não é essa pessoa que deve viver sofrendo, enquanto aprende a lidar com seus sentimentos e desejos, até se apoderar de seus medos e sonhos para passar da vergonha ao orgulho. Muitos morrem sufocados dentro do armário com receio de pessoas que ainda insistem em questionar esse amor, como se fosse menos digno de respeito que os demais.

As políticas públicas não serão suficientes. A revolução é social e não ganhará muitos adeptos com, por exemplo, programas de cotas para quem gosta de pessoas do mesmo sexo. É uma questão de respeito, justiça, aceitação e igualdade diária. Não deveriam ser necessárias datas ou manifestações para conscientizar o povo sobre os preconceitos como homofobia e racismo entre tantos geradores de muita violência e centenas de mortes.

Independentemente da orientação sexual, as pessoas são iguais, correndo os mesmos riscos, convivendo com os mesmos problemas, as mesmas dúvidas e angústias. Todos querem uma vida segura, equilibrada e feliz.

É essencial se impor, se respeitar e se gostar, em primeiro lugar. Ninguém deve se intimidar ou se esconder. É essencial continuar a luta pelo respeito e aceitação, promovendo frequentes debates para conscientização e combate à banalização e à violência. Uma reflexão profunda permite desmitificar os preconceitos, medos, complexos e as vergonhas. Afinal, a orientação sexual ou identidade de gênero “diferente” não nasce apenas na família do outro ou na casa do vizinho, e o verbo amar é intransitivo.


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