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Estado de Minas EDITORIAL

O bom senso é bem-vindo


13/01/2022 04:00

É, no mínimo, estarrecedor ver o presidente da República dizer que a variante Ômicron é bem-vinda no país, pois funciona como vacina, já que faz o papel de imunizante de rebanho ao contaminar geral. Se ele tivesse o mínimo de bom senso, pediria às pessoas que se protegessem, pois nenhum vírus é bem-vindo pelos males que provoca e pelas vidas que são perdidas. A COVID-19, em dois anos, matou 620 mil brasileiros. Não se trata de algo trivial. Muito pelo contrário. É assustador.

Cientistas de renome alertam que o Brasil está à beira de um novo colapso, com a Ômicron contaminando numa velocidade nunca vista. Nas últimas duas semanas, o número de casos confirmados para a COVID-19 aumentou mais de 700%. Ao mesmo tempo, a influenza está empurrando milhares de cidadãos para hospitais e postos médicos. Lotados, os ambulatórios já se ressentem da falta de pessoal, pois a infecção entre profissionais da área de saúde não para de crescer. Enganam-se aqueles que embarcaram no discurso de que a nova cepa do coronavírus é menos letal. Na velocidade em que ela se espalha, o total de contaminados é tão grande que não há estrutura nos hospitais públicos e privados para atender a todos ao mesmo tempo e ainda prestar assistência a quem tem outras doenças. Sem atendimento adequado, as chances de morte aumentam muito. Portanto, o ideal seria que a disseminação da Ômicron se desse num ritmo bem mais lento.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) pediu a suspensão de testes para a COVID-19  e para a influenza nos casos leves e médios. A maior rede de hospitais privadas do país, a Rede D'Or, avisou que só fará testes para essas enfermidades em pacientes internados e nos casos graves. A alegação é de que faltam insumos para os exames. Nem mesmo no auge da segunda onda da pandemia se viu isso.

Não é só. Setores intensivos de mão de obra estão tendo que suspender parte das atividades por falta de trabalhadores, afastados com diagnósticos de COVID e gripe. Pelos cálculos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), pelo menos 15% dos canteiros de obras já foram afetados. Também em bares e restaurantes o número de atestados médicos está obrigando a restrição na prestação de serviços. No setor aéreo, mais de 600 voos foram suspensos desde o início do ano.

O impacto da redução dessas atividades para a economia será brutal. A produção e o consumo já vinham em ritmo lento desde o ano passado. Ou seja, a possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) ter queda no primeiro trimestre de 2022 é real. O Brasil, tecnicamente, está em recessão. Mas a Ômicron pode empurrar o país para o atoleiro de vez. A população terá de conviver com atividade fraca, inflação alta, juros em rota ascendente e desemprego elevado. Um caos.

Como o Brasil não economiza em notícias ruins, são aqueles que acreditaram nas mentiras ditas pelo presidente da República em relação às vacinas contra a COVID os que estão lotando as unidades de tratamento intensivo (UTIs) e morrendo. É a pandemia dos não vacinados, que se transformaram em grandes vetores para a propagação do coronavírus. Essas escolhas erradas custarão caro ao país, pois não só mantêm a crise sanitária latente, como dificultam o tratamento daqueles que fizeram tudo certinho.

Diante desse quadro abominável, só resta à maioria dos brasileiros que confiam na ciência, que respeitam o próximo e entendem a gravidade do momento manter as medidas sanitárias e incentivar todos que estão ao seu lado que se vacinem. Isso vale, sobretudo, para as crianças de 5 a 11 anos, o próximo grupo etário a ser imunizado. Os aliados dos vírus são muitos, mas não vencerão essa guerra.


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