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Estado de Minas artigo

Crianças aguardam pela aprovação de uma vacina contra a COVID-19


21/11/2021 04:00

Camila Sacchelli
Professora da disciplina doenças infecciosas e parasitárias do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie


À medida que o Brasil alcança os 60% de cobertura vacinal completa para a COVID-19, nos permitimos retomar várias das atividades que foram evitadas nos últimos 18 meses. A redução no número de casos diagnosticados e de óbitos provocados pelo Sars-CoV-2 impulsiona a retomada de reuniões entre amigos e familiares, de atividades culturais como cinemas, teatros e museus, além da retomada dos grandes eventos, como a Fórmula 1, que ocorreu em São Paulo.

Se por um lado nos sentimos mais confortáveis em aglomerar com outros desconhecidos já vacinados, principalmente em ambientes abertos e ventilados, por outro, as notícias do Leste Europeu e mesmo da pequena cidade de Serrana- SP revelam aumentos abruptos no número de novos casos, nos fazendo lembrar que o vírus ainda circula entre nós. Mais do que isso, nos lembramos do potencial risco de surgimento de novas variantes e das crianças, que, no Brasil, no caso dos menores de 12 anos, seguem enfrentando a pandemia ainda sem a possibilidade de uma vacina.

O Ministério da Saúde divulgou o início da campanha de vacinação com a terceira dose para toda a população adulta vacinada há 5 meses ou mais. A decisão se baseia em resultados de diversas pesquisas que apontam uma relevante redução do título de anticorpos no período de 6 meses após a última dose das diferentes vacinas empregadas no país e no mundo.

Somado a isso, o atual comportamento de parte da população, que já não demonstra mais o receio para eventos e reencontros, além da proximidade do período de festas, permite classificar a decisão do Ministério da Saúde como adequada, coerente e, diferentemente de outros momentos, preventiva.

No entanto, precisamos relembrar que as vacinas não impedem completamente a transmissão do vírus. O seu benefício está associado principalmente à redução do risco de doença grave e óbito. Em meio à maioria de adultos imunizados, as crianças seguem convivendo com o risco de contaminação, esperando pela chamada para os postos de vacinação.

No mês passado, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) autorizou o uso da vacina comercializada pela empresa Pfizer para crianças a partir de 5 anos de idade. Do outro lado do globo, a China segue aplicando em milhares de crianças e adolescentes a CoronoVac (Sinovac), afirmando tratar-se de uma vacina segura e eficaz também para esta faixa etária.

Em vista a todas essas notícias, seguimos aqui nos questionando o que falta para termos uma vacina aprovada para nossas crianças. Recentemente, a Pfizer registrou pedido à Anvisa para autorização de uso da sua vacina de RNA em crianças com 5 anos ou mais. Do outro lado, o Instituto Butantan, que já havia solicitado a aprovação da CoronaVac em crianças com 3 anos ou mais, recebeu em setembro uma resposta negativa da agência, que justificou à época que os dados apresentados eram insuficientes para a comprovação de segurança e eficácia.

Naquele momento, os dados se referiam aos estudos de fase 1/2, com cerca de 500 crianças. Na semana passada, o próprio Instituto Butantan noticiou que entregou à Anvisa os resultados preliminares dos ensaios de fase 3 em crianças, demonstrando a segurança e eficácia da vacina para essa população. Já a agência continua a assegurar que não recebeu um novo pedido oficial para aprovação da CoronaVac para crianças e adolescentes. É importante ressaltarmos que, desde o pedido inicial para o uso emergencial da CoronaVac em adultos e idosos, a Anvisa relata o recebimento de dados incompletos nos relatórios enviados pelo Butantan.

Independentemente do fabricante ou do tipo de vacina, nossa torcida é para que os novos registros tragam informações satisfatórias para a aprovação e recomendação do uso em crianças e adolescentes. Na certeza de que nossa agência regulatória reconhece a importância da vacinação desse público e preconiza decisões baseadas em evidências, seguimos esperançosos e ansiosos, rumo à almejada marca de 95% da população brasileira imunizada contra a COVID-19.


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