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Luta diária pela consciência negra

O negro luta veementemente contra todo tipo de discriminação, que pode ser combatida, e, até mesmo, por atitudes simples, como a representatividade pelo cabelo


20/11/2021 04:00

Ângela Mathylde
Professora, psicopedagoga, doutora em educação e saúde

Por que celebrar o Dia da Consciência Negra apenas em 20 de novembro? É como se a luta por direitos e preconceitos fosse re- legada a apenas um dia ou mesmo durante o mês de novembro. Infelizmente, o desrespeito ao negro ainda é alarmante. O pro- blema envolve desde padrões culturais e, até mesmo, a questão de oportunidades profissionais. Mesmo séculos depois do fim da escravidão, o negro ainda segue sofrendo as consequências de uma marginalização violenta. Obviamente, a data é importante e significativa pela luta da raça, da igualdade e da potencialidade.
 
O fato é que não existe melhor nem pior. O que existe é o ser humano, então, por isso, a pessoa não pode ter menos valor por ser negra, branca, vermelha ou amarela. A maior frustração é que o preconceito ainda atinge desde a cultura e estilo até a questão da empregabilidade e oportunidades na carreira. O negro segue recebendo menos, menosprezado e com sua capacidade posta à prova, constantemente. Os dados da 63ª edição da Pesquisa Salarial da Catho re- velam que profissionais negros são remunerados até 34,15% menos que os trabalhadores brancos, em todos os níveis hierárquicos e de escolaridade.
 
Os enfrentamentos dessa questão humana são iguais. O problema é que as pessoas não conseguem lidar com as diferenças. É essencial refletir e reco- nhecer os descendentes africanos na construção da sociedade e um lembrete pertinente é se deve percorrer um longo caminho para erradicar o preconceito. De acordo com os dados do Atlas da Violência 2021, elaborado em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Ministério da Economia, e o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), ligado ao governo do Espírito Santo, a chance de uma pessoa negra ser assassinada é 20,6 vezes maior que alguém não negro no Brasil.
 
A questão é: o que é ser negro? É uma questão de pele? Melatonina?. Discussão interessante, mas o que precisa ser direcionado, realmente, é o posicionamento. A mulher negra, por exemplo, muitas vezes, é menosprezada, além do preconceito de gênero, que já prejudica, devido ao machismo no mercado de trabalho; a questão racial é outro pro- blema complicador para o sucesso e a carreira. Os preconceituosos não aceitam que uma mulher negra possa ser inteligente, independente financeiramente e bem-sucedida.
 
O negro luta veementemente contra todo tipo de discriminação, que pode ser combatida, e, até mesmo, por atitudes simples, como a representatividade pelo cabelo. O mais importante é conhecer a própria identidade. Saber quem se é e estar ciente de sua       responsabilidade e o que veio para fazer neste mundo. Aí, o cenário brasileiro caminhará para a mudança e ampliação deste debate.
 
A possibilidade de transformação ocorre aos poucos. É também aos poucos que tudo vai se mo- dificando, sendo desconstruído e reconstruído. Pela força, pela resistência e pela presença do negro, cada vez mais forte na sociedade. Paulatinamente, o negro ocupa espaços e vai tomando o que é seu por direito, equidade e liberdade social. Notoriamente, é uma luta diária e não pode ser pautada apenas numa data. O negro é negro todos os dias. E precisa lutar todos os dias.


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