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Estado de Minas artigo

Nosso petróleo é nosso


21/10/2021 00:05




Antonio José Polanczyk
Engenheiro e ex-presidente da Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira

Desgraça pouca é bobagem. Não bastasse a pandemia, sobe o preço dos combustíveis e o reconhecimento da incompetência das autoridades para controlá-lo. A solução, privatizar a Petrobras. A hora é adequada. No segundo trimestre de 2021, a empresa teve o maior lucro líquido e distribuiu aos acionistas o maior dividendo da história. 

"Lucro acima de tudo, acionista acima de todos" parece ser a diretriz. Cabe ao acionista majoritário fixar as políticas empresariais, inclusive a de preços. Como o governo brasileiro tem mais de 50% das ações, a empresa segue instruções de Brasília, e espera que o preço internacional caia e que as exportações valorizem o real. Caminhoneiros, taxistas e donas de casa só precisam ter paciência e esperar.

A Petrobras incorpora aos seus preços a desvalorização do real e o valor do petróleo no mercado mundial. A empresa tem empréstimos em dólares, aluga equipamentos no exterior, mas paga empregados e muitos fornecedores em real, além de extrair todo o petróleo aqui. Então, por que atrelar preços ao volátil mercado mundial?  

Antes de encontrar petróleo em águas profundas, o país importava mais de 50% do consumo. A Petrobras abasteceu o mercado brasileiro sempre com uma política conservadora de preços, que garantia a importação de petróleo, recursos para investimentos e mantinha sua saúde financeira. Não eram preços baixos, mas não havia sobressaltos nem surpresas, como os preços imprevisíveis e exorbitantes de hoje.

Países importadores de petróleo precisam repassar a cotação do mercado mundial. Já os produtores de petróleo, principalmente os autossuficientes, não se  atrelam a preços internacionais. Adotam uma política que beneficia o consumidor. No Brasil, a regra é diferente: extrai o petróleo em seu próprio território e, aqui mesmo, pratica os preços do mercado mundial. Vá explicar isso a um caminhoneiro! Não poderíamos ter a Noruega como modelo?

A gasolina está cara como nunca para o consumidor brasileiro. Em um ranking de 164 países, o Brasil ocupa o 81º lugar. Com um salário mínimo nos Estados Unidos podem-se comprar 2.156 litros de gasolina, enquanto no Brasil compram-se apenas 181 litros.

Aqui, o preço é o somatório de vários componentes. Em primeiro lugar, a política equivocada de preços da Petrobras, que beneficia unicamente os investidores. Em segundo, a voracidade dos governadores dos estados, que estão conseguindo melhorar suas contas à custa dos contribuintes. Temos também a obrigatoriedade de adicionar o álcool, que já foi mais importante antes das descobertas de petróleo em águas profundas. 

Final e principalmente, a incompetência política em gerenciar o problema e a falta de sensibilidade e de compaixão das autoridades para com a dona de casa, que precisa cozinhar com lenha, e com os motoristas e caminhoneiros, que precisam trabalhar mais para fechar as contas.

Nossos governantes são tão radicais que não conseguem sentar juntos e resolver isso? Privatizar é a solução? Os acionistas da Petrobras residentes no exterior já têm 39% das ações. Com mais um pouco assumirão o controle da Petrobras. Se você acredita que vão olhar melhor os interesses do consumidor brasileiro, vá em frente… você não acredita em nossas autoridades.


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