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Estado de Minas artigo

Uso crescente de telas e o futuro da educação


15/10/2021 04:00





Ângela Mathylde
Psicanalista, psicopedagoga e neurocientista

A pandemia contribuiu para o aumento do uso de telas ao permitir, por exemplo, que muitas crianças continuassem estudando. No período mais crítico da quarentena, em que as instituições de ensino se viram obrigadas a fechar as portas, o uso de meios digitais foi essencial para manter o contato com parentes e amigos e, até mesmo, para garantir entretenimento.

A educação precisa engajar muitos grupos, como pais, alunos, professores, gestores e editoras, entre outros. A questão é: esse crescimento deixará sequelas e modificará as metodologias, mesmo com o retorno às aulas e às atividades presenciais?.

Um estudo do Laboratório de Bem-estar Digital, do Hospital Infantil de Boston, revelou que dos 1,4 mil pais de crianças americanas entrevistados, dois terços deles afirmaram que, no verão do ano pandêmico, os filhos utilizaram aparelhos eletrônicos por mais tempo do que nos meses anteriores, quando estavam em ano letivo, estudando a distância e também mais que no verão anterior, pré-COVID-19.

A tecnologia é um instrumento que possui uma demanda muito rica de informações e dados potenciais para a construção do aprendizado. Atualmente, mesmo antes do processo de alfabetização, as crianças passam por um processo de “alfabetização digital”. Isso porque elas são apresentadas ao digital muito cedo e, portanto, já crescem familiarizadas com esse tipo de linguagem.

A interação com os recursos e aplicativos oferecidos pelas telas dos aparelhos digitais aumenta a capacidade de memorização. Desse modo, não podemos desconsiderar a imersão dos estudantes no mundo tecnológico. É preciso ensiná-los de modo crítico sobre seu uso e sobre a linguagem midiática, introduzindo a elas valores e crenças.

São grandes os desafios e há, ainda, um longo caminho a ser percorrido nesse processo pelo qual a humanidade está passando. É preciso considerar os impactos do excesso de tempo de exposição às telas, que acarreta alterações no sono, na atenção e no sistema hormonal, impactando negativamente o aprendizado.

Por outro lado, na sala de aula, os avanços tecnológicos possibilitam aos alunos o acesso a maior volume de informações e recursos de ensino. O uso das ferramentas tecnológicas e digitais precisa ser visto como uma nova “metodologia” de ensino, em que os alunos passam a interagir com diferentes ferramentas.

É evidente a importância das inovações tecnológicas para a educação e há educadores que defendem, por exemplo, o ensino híbrido. Uma modalidade que contempla a realização de aulas presenciais, complementadas por ambientes virtuais de aprendizagem. A influência tecnológica na educação vem criando discussões de um novo modelo que atenda às necessidades da sociedade.

Diante desse contexto, é preciso deixar claro os conceitos e as possibilidades que o futuro da educação enfrentará. Acredita-se que é necessário compreender um pouco mais esse modelo e assim promover iniciativas que orientem para os passos seguintes.


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