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A sua empatia e o debate sobre a pobreza menstrua


10/10/2021 04:00

Fernanda Ávila
Advogada, especialista em direito da mulher

Se você vive no Brasil e não ficou indignado, consternado ou no mínimo triste, com o veto do presidente Jair Bolsonaro à distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua, sugiro que volte duas casas e entenda um pouco melhor o como a empatia acontece dentro desse debate.

Lição número um: vamos fazer uma conta simples? Pensando em um fluxo menstrual regular de duração média, em que a pessoa vivencia esse processo uma vez por mês, por um período de cinco dias, ela vai passar, ao longo do ano, aproximadamente 60 dias menstruada.

Lição número 2: reflita sobre o fato de que algumas pessoas, durante os dias em que estão atravessando esse processo absolutamente natural do corpo humano, não conseguem realizar nenhum tipo de atividade cotidiana, seja ela simples ou complexa, porque não têm acesso a um item de necessidade básico para conseguir viver sua vida com um mínimo de conforto e dignidade.

Pronto, agora é só juntar as duas etapas. Some a conta e a reflexão que nós fizemos que você vai entender que aproximadamente um sexto de cada ano de quem está em situação de pobreza menstrual é completamente anulado, ela fica impossibilitada de fazer qualquer coisa durante esses dias.

(Vou abrir esse parêntese aqui, antes de concluir, para dizer que se passou pela sua cabeça, em algum momento, qualquer ideia de meritocracia, força de vontade, plenitude ou outro pensamento estapafúrdio dessa natureza, apenas pare e faça o simples exercício de se imaginar realizando toda sua rotina gratiluz com sangue escorrendo pelas suas pernas 24 horas por dia.)

Se você agora já entendeu e começou a pesquisar na internet conteúdos sobre como é possível derrubar o veto, ponto para nós, a lição de empatia foi concluída com sucesso. Ufa!

Mas, se não entendeu nem essa parte, vamos parar por aqui. De nada serve continuar explicando. É tanto ódio, individualismo e misoginia, que só me resta invocar a música Zap Zum, de Pablo Vittar, para te perguntar: “meu anjoooo, me diz qual o planeta que você está?” e dar um conselho objetivo: melhore!


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