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editorial

No fim das contas, é o dinheiro dos pobres %u2013 gigante em volume, sobretudo no Brasil %u2013 que provoca as boas ondas em que o setor produtivo sonha surfar


postado em 09/01/2019 05:02

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem que a produção industrial brasileira registrou alta de 0,1% em novembro, na comparação com outubro. Em relação a novembro de 2017, houve queda de 0,9%. Mesmo fraco, o resultado interrompe quatro meses consecutivos de retração e, combinado a outros indicadores, pode representar um novo suspiro da economia brasileira, que se encontra há anos em uma espécie de UTI.


A verdade é que a posse do novo governo parece trazer esperança ao setor produtivo, impulsionada pelas promessas do time do ministro da Economia, Paulo Guedes. A pesquisa Focus mais recente, realizada pelo Banco Central, mostra que a expectativa dos economistas é de que a indústria tenha terminado 2018 com crescimento de 1,91%, e acelere para 3,04% em 2019.
A greve dos caminhoneiros, no primeiro semestre, e a crise nas exportações brasileiras, sobretudo para a Argentina, frearam o ritmo já frágil do crescimento, sobretudo diante das incertezas que acompanharam o período eleitoral. Mas o fim do ano trouxe, senão otimismo, uma pausa no desalento.


A confiança do consumidor chegou a dezembro no ponto máximo em quatro anos e oito meses (93,8 pontos), segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com inflação sob controle e taxas de juros estáveis, é possível dizer que o presidente Jair Bolsonaro começa seu governo em cenário relativamente favorável, diferentemente do que ocorreu com Dilma Rousseff em 2014. A sensação do mercado é, claramente, de que o pior ficou no passado e prova disso é o comportamento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que abriu o ano com cinco altas consecutivas.


Apesar da urgência do setor produtivo e da euforia dos mercados especulativos, no entanto, é do emprego que depende a retomada. Não há produção que se sustente sem consumo e é aí que surge, cru e incômodo, o principal desafio do novo governo. Enquanto 12,2 milhões de pessoas buscam trabalho e renda no país, não há como garantir à indústria e ao varejo o espaço para a sonhada arrancada. No fim das contas, é o dinheiro dos pobres – gigante em volume, sobretudo no Brasil – que provoca as boas ondas em que o setor produtivo sonha surfar.


O salário mínimo, antes de R$ 954, passou a R$ 998 em janeiro. Abaixo dos R$ 1.006 aprovados pelo Congresso, ainda assim manteve ganho real, mas a tênue alta em seu poder de compra pode ser derretida pela inflação já nos primeiros meses de 2019. Isso significa que, para imprimir ritmo à retomada, são necessárias medidas que incentivem o emprego, a geração de renda e a oferta de crédito. É nesse sentido que a equipe econômica deve afinar seu discurso e, o quanto antes, anunciar ações.


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