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Rodovias que matam e não perdoam erros


19/06/2021 04:00 - atualizado 18/06/2021 22:44

Alysson Coimbra
Diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra) e coordenador da Mobilização Nacional de Médicos e Psicólogos Especialistas em Trânsito

Quatro das 10 rodovias federais mais perigosas do Brasil passam por Minas Gerais. Apesar de atravessarem 22 estados e ter características diferentes, elas têm em comum os sérios problemas de infraestrutura, como pistas simples, sinalização insuficiente, ausência de mecanismos de controle de velocidade e traçado ruim. Estudos de entidades científicas mostram que esses problemas estruturais nas estradas dobram o risco de acidentes e, portanto, de mortes.

Somente em 2020, 5.287 pessoas morreram nas rodovias federais. O prejuízo econômico dos 63.447 acidentes chegou a R$ 10,22 bilhões. Boa parte dessas mortes poderia ser evitada se o Brasil investisse na revitalização e melhoria da infraestrutura da sua malha viária. Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), se investíssemos R$ 500 milhões na instalação de estruturas simples, como cilindro delimitador entre as faixas, sonorizador longitudinal e defensa rodoviária em trechos perigosos, reduziríamos significativamente o número de mortos e feridos nesses trechos. É muito pouco perto dos prejuízos que a violência viária causa.

No entanto, no ano passado gastamos mais com os acidentes do que em obras viárias, que consumiram R$ 6,7 bilhões em investimentos. E o pior é que, segundo dados oficiais, 60% dessas obras estão atrasadas. A informação, apresentada durante evento do Maio Amarelo na CNT, mostra que caminhamos na direção oposta à segurança viária.

Soma-se a esse cenário a drástica redução no orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que é o menor dos últimos 20 anos, e o desmonte da fiscalização por radares móveis nessas rodovias.

Para as entidades que atuam na segurança do trânsito, o cenário é desolador. Tudo isso nos distancia ainda mais da meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em 50% o número de mortes e acidentes até o final de 2030.

As rodovias são o nosso principal modal de transporte. Elas suportam um tráfego intenso de caminhões que, por seus pesos e dimensões, provocam acidentes mais letais.

Problemas de geometria da via, de sinalização e do estado do pavimento seguem sendo determinantes para a ocorrência de acidentes e mortes, que são proporcionalmente maiores para trechos malconservados.

Investir na modernização de nossa malha viária salva vidas e é uma saída mais barata que custear os acidentes e as suas consequências, que consomem todos os anos cerca de 6% do nosso PIB.


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