Igor Marinelli
Um dos fundadores da Startup Tractian
Quando pensamos no termo Indústria 4.0, o que nos vem à mente? Indústrias altamente digitais e tecnológicas, com inteligência artificial em todos os processos produtivos e com operações autônomas, com pouco ou sem nenhuma utilização de mão de obra humana. Entretanto, para que a indústria cresça com produtividade no modelo 4.0, as pessoas são fundamentais. Afinal, são elas que diariamente acompanham a operação de todos os equipamentos, procurando antecipar possíveis falhas.
Há um mito de que, por conta do crescente uso da tecnologia em todos os processos industriais, ela ficará restrita apenas a pessoas jovens e com nível de estudo elevado. Isso não é verdade. É inegável que houve a necessidade da capacitação e requalificação para utilizar, de maneira plena, todos os recursos tecnológicos disponíveis e necessários no cenário atual das indústrias, mas é importante salientar que a Indústria 4.0 é inclusiva. Ela não existe para “aposentar” pessoas do mercado de trabalho, mas, sim, estimular a reinvenção dos colaboradores e dos processos produtivos.
A adoção da tecnologia em todos os processos industriais exigiu a reinvenção dos profissionais. Eles precisaram, cada vez mais, se capacitar para enfrentar os desafios e tendências das indústrias. Mas, ao contrário do que diz o lugar-comum, a máquina não substituirá o ser humano: ela facilita o dia a dia da operação, otimiza processos e aumenta a produtividade e a lucratividade, o que gera benefícios a toda a sociedade.
E, nesse viés, há uma função extremamente importante nas indústrias: a do gestor de manutenção. Ele é o responsável pelo “coração” das empresas. Afinal, monitora todos os equipamentos e é chamado em ação – seja qual hora for do dia ou da noite – quando surge uma anomalia que compromete a entrega da produção. E é aí que a tecnologia se faz presente, com a criação de ferramentas que unem a expertise tecnológica à praticidade da operação em uma fábrica. Assim, o gestor se antecipa, corrige o problema e evita a paralisação total ou parcial da empresa, o que gera perdas inestimáveis.
A Indústria 4.0 foi a responsável por mudar, inclusive, o perfil dos gestores nas empresas. Hoje em dia, é crescente o número de jovens liderando grandes equipes, inclusive compostas por pessoas mais experientes, o que traz uma sinergia muito positiva para a sociedade: o jovem gestor, com seu espírito empreendedor e com o olhar voltado para o futuro e as tendências tecnológicas e da internet das coisas (iOT), e os colaboradores mais experientes, que vivenciaram todas as transformações que a indústria passou nas últimas décadas e podem agregar essa trajetória em prol do desenvolvimento das empresas.
A pandemia de COVID-19 trouxe à luz a importância cada vez maior da tecnologia nas indústrias. Com a necessidade da operação remota de diversos processos, por conta da necessidade de restrição de circulação e distanciamento social, foi imprescindível a adaptação das empresas para este novo momento, para que o impacto econômico fosse o menor possível.
Acreditamos que o futuro reserva a aceleração cada vez maior da transformação digital nas indústrias, com a tecnologia sendo aliada do dia a dia dos colaboradores, mas sem substituí-los, e, sim, ajudando-os no dia a dia das operações, gerando valor a todos os processos.
