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Estado de Minas

Sofrido Brasil


11/05/2021 04:00

Gilson E. Fonseca
Sócio-diretor da Soluções em engenharia geotécnica Ltda. (Soegeo)

Às vésperas de eleições vê-se, corriqueiramente, um entusiasmo geral na expectativa por mudanças. Meu saudoso pai, com ironia, em uma ocasião dessa disse: “No Brasil a gente sempre tem saudade do governo anterior”. Outro mais sarcástico falou: “Pior que os políticos atuais, só os próximos”. Razões existem, mas, por outro lado, a filosofia, as religiões e a nossa própria intuição sugerem que nunca devemos perder as esperanças. Atualmente no Brasil as pessoas mostram-se desanimadas ao analisar acontecimentos e números, sobretudo, dos últimos 15 anos. Com o impedimento de Dilma Rousseff, tivemos grande expectativa de acabar com os casos de corrupção que assolavam principalmente os órgãos federais. A vitoriosa operação Lava-Jato trouxe esperança ao desencadear punições aos chamados “peixes graúdos”.  Importante não foi só investigar e punir os corruptos, mas também os corruptores, os grandes empresários que, via de regra, ficavam nas sombras e gozando de regalias pela falsa imagem que passavam ao povo. A imprensa também, incansável, teve um papel importante na investigação, ajudando a denunciar, levando à prisão grandes executivos que tinham trânsito livre no Palácio do Planalto. 

O advento do governo Bolsonaro gerou nova onda de otimismo, tamanho clamor popular pelas mudanças. No início ele correspondeu ao quase inibir severamente a corrupção nas estatais e órgãos federais. Mas o presidente sem vocação diplomática, a cada dia que seu governo avançava, também gerava problemas de governança, frutos dos atritos desnecessários na diplomacia com outros países e com os outros poderes da República, inclusive com o Judiciário. A consequência é a falta de segurança jurídica a que estamos vivendo, em que o STF tem tomado determinadas decisões, até monocráticas, outrora reservadas ao Congresso e ao Executivo federal, deixando determinados segmentos sociais perplexos, sobretudo ao potencializar a crise política já instalada. As consequências têm sido muitas: o Legislativo federal sem sintonia com o Executivo trava as reformas e ressuscita o “toma lá, dá cá”. Governos estaduais e municipais desafiam a Justiça e se aproveitam da situação de emergência da pandemia, que os isenta de concorrência para compra de equipamentos e remédios, abrindo caminho para desvios financeiros, mesmo com perdas de vidas.

Nosso Brasil é sofrido porque mal acaba de enfrentar um desafio, surgem outros. A volta da inflação, a dívida pública teimando em aproximar-se dos 100% do PIB, povo e empresas endividados são realidades preocupantes e afastam chance de investimentos. A crise política está longe de terminar, problemas ambientais estão arranhando a imagem do país diante de parceiros internacionais importantíssimos, prejudicando obtenção de fundos e financiamentos externos. Na recente “Reunião de líderes sobre o clima”, ficou claro que o Brasil vai ter que esforçar-se muito para vencer as resistências já existentes, principalmente pelas crescentes queimadas na Amazônia. Quiçá não seja uma onda de problemas como a pandemia.


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