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Estado de Minas editorial

Racismo na pandemia

A condenação do policial branco assassino não foi motivo de comemoração, mas de esperança de que é possível haver Justiça


25/04/2021 04:00

Os cidadãos do mundo assistiram ao brutal assassinato do afro-americano George Floyd, em 25 de maio de 2020, em Minneapolis. “Não consigo respirar”, disse Floyd ao policial Derek Chauvin, que o estrangulava com o joelho no pescoço. Em menos de nove minutos, Floyd morreu, supostamente por pagar a compra no supermercado com uma nota falsificada de 20 dólares. Na realidade, ele foi executado por ser negro – mais um, entre milhões de peles escuras vítimas do racismo estrutural que infecta as sociedades e, principalmente, grande parcela dos corpos brancos.
 
A condenação do policial branco assassino não foi motivo de comemoração, mas de esperança de que é possível haver Justiça. Sete meses depois de Floyd, em 19 de novembro, seguranças do Carrefour, em Porto Alegre, espancaram até morte João Alberto Silveira Freitas, homem negro. Assim, como ocorreu com Floyd, a cena foi gravada por um celular e ganhou as telas das tevês mundo afora. O episódio foi tão icônico quanto o da morte de Floyd, mas, aqui, não há manifestações nem cobrança por justiça. Silêncio é a opção que privilegia a impunidade e reforça o racismo estrutural.
 
Aqui, vidas negras não importam – ou não fazem diferença –, embora sejam 54% da população brasileira. Balas perdidas, disparadas por policiais, são encontradas em corpos de crianças negras. Mas elas também não importam. Para o racismo estrutural, nutrido pela indiferença, a morte precoce de crianças e jovens negros significa “cortar o mal pela raiz”. Sim, pois o povo afro-brasileiro é invisível ao poder público.
 
Em 2019, ocorreram 4.971 óbitos violentos de crianças e adolescentes – 75% eram negros, segundo o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com a colaboração do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O que ocorreu com os culpados? Uma resposta ainda foragida da opinião pública.
 
A indiferença não se expressa só na banalização da violência que suprime a vida de corpos negros. Ela ganhou dimensão também durante a pandemia do novo coronavírus, que deu contornos mais fortes   desigualdades socioeconômicas existentes no Brasil. Embora seja a maioria da população, a imunização de pretos e pardos é duas vezes menor do que a dos não negros. No ano passado, só em São Paulo, o número de negros mortos pelo vírus chegou a 25% ante 11,5% de brancos entre as vítimas da covid-19.
 
Diante de tamanha diferença, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) cobrou do Ministério da Saúde, em 30 de março último, ações antirracistas para o acesso de todos ao sistema público e, sobretudo, à vacinação contra o novo coronavírus. Até aquela data, 3,2 milhões de não negros receberam pelo menos a primeira dose de vacina contra 1,7 milhão de pretos e pardos. Como Floyd, os afro-brasileiros não conseguem respirar, pois o racismoestrutural os asfixia com os joelhos sobre a garganta. Mas falta-lhes ar desde muito antes da pandemia.


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