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Estado de Minas editorial

Os problemas da economia

O custo de vida aumentou 0,93% em março, quase o dobro de fevereiro. A gasolina levou a culpa, mas os aumentos se espalharam


07/04/2021 04:00

Não bastasse a instabilidade típica das trocas de comando no governo, que na semana passada afetou seis ministérios, a fritura agora avança cada vez mais fundo sob os pés do ministro da Economia, Paulo Guedes. A disputa política segue, enquanto reais problemas da economia – o desemprego de 14,3 milhões de brasileiros e a inflação que volta com fôlego – continuam encobertos por um discurso manco sobre recuperação 'firme' no país. Não são o Planalto e o Congresso que saem prejudicados com a corrida interna mirando a eleição de 2022. Ela suga o tempo e os esforços que não estão sendo carreados como deveriam ao combate à COVID-19 e seus efeitos, e ao drama das mortes aos milhares no Brasil pela ação do novo coronavírus.
 
Com a falsa premissa de reação da economia “em altíssima velocidade”, na avaliação do próprio ministro da Economia, a criação de 400 mil empregos com carteira em fevereiro, de fato, um recorde para o mês, foi alardeada como motivo de comemoração. Vamos a outra sucessão de recordes que, essa sim, tem sido puxada para debaixo dos tapetes do Ministério da Economia.
 
Tanto a taxa de desemprego, de 14,2% do conjunto das pessoas empregadas e à procura de uma vaga no Brasil, quanto o número de desempregados no trimestre encerrado em janeiro último não têm precedentes para o período em toda a série de dados da Pnad Contínua, do IBGE. A pesquisa começou a ser feita em 2012 e mostrou também nesse trimestre um crescimento modesto de 2% do universo de pessoas ocupadas no país (agora de 86 milhões).
 
Quando considerados aqueles brasileiros em idade de trabalhar, menos da metade (48,7%) estava ocupada no período de novembro de 2020 a janeiro passado. É preciso destacar também que a informalidade exibe o impressionante nível de 39,7% do universo de quem está trabalhando.
Por fim, o IBGE revelou para quem quiser enxergar a realidade que não havia oportunidade para 32,4 milhões de brasileiros. Eles são o que o instituto chama de população subutilizada, composta pelos desempregados, aqueles atuando em jornada insuficiente de trabalho e a chamada força potencial, as pessoas com 14 anos de idade ou mais que não estavam trabalhando nem procurando vaga, mas que tinham potencial para se inserir no mercado. Bastaria que houvesse oportunidade.
 
As manobras de aliados do presidente Jair Bolsonaro e de políticos que cobram espaço para apoiá-lo seguem também de costas para outro recorde que só os incomoda na hora de subir em palanque. Medido pelo IPCA-15, a prévia da inflação oficial do país, o custo de vida aumentou 0,93% em março, quase o dobro da variação de fevereiro (0,48%) e maior taxa para março desde 2015 (1,24%).
 
A gasolina levou a culpa, mas os aumentos se espalharam. Alcançam etanol, óleo diesel, gás veicular, automóveis novos e usados, seguro voluntário de veículo, ônibus urbano, gás encanado, energia elétrica, carnes e hortaliças e verduras, entre outros itens. Houve elevação nas 11 regiões metropolitanas em que o índice é pesquisado. São questões que esperam medidas efetivas e um Ministério da Economia debruçado em possíveis soluções ao menos para amenizar esses problemas.


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